O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

20 de set de 2011

EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA



Maria Oly Pey


Por Educação Libertária entendemos todas as práticas educativas pautadas pela não hierarquia nas relações educando – educador, pelas formas de organização  autogestionadas, e por considerar o saber numa ótica não-disciplinar.
 
Na história da Educação Libertária no Brasil preponderam as iniciativas culturais de indivíduos e grupos de índole não-autoritária, como tem sido o Centro de Cultura Social de São Paulo, cujo o incentivador, Jaime Cuberos, devotou uma vida a divulgação do ideário anarquista entre nós.
 
Considerada por alguns pesquisadores em Educação e Ciências Sociais como uma vertente fértil de estudos e práticas, a Educação Libertária tem mobilizado  Núcleos de Investigação como o NU-SOL na PUC/SP e o NAT na UFSC.
 
Livros e artigos vêm sendo publicados recuperando o empreendimento educativo libertário mundial e novas práticas pedagógicas produzem uma abordagem pedagógica orientada no questionamento dos limites do  conhecimento disciplinar e nas possibilidades dos saberes não legitimados.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás