O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

31 de out de 2011

Novembro Negro


Esforçamo-nos para adquirir, dentro dos limites de nossas possibilidades, esta educação integral que deve ser generalizada; estudamos os escritores que falaram dela, procuramos informar-nos sobre as novas tentativas, com maior ou menor êxito, relativa à educação particular e coletiva; muitas discussões com pensadores honestos nos ajudam a considerar o problema sob suas diversas facetas.
Paul Robin

A fim de dar sequência a esse esforço acontecerá o Novembro Negro, evento de divulgação e debate de ideias anarquistas, dando ênfase à educação libertária. O evento acontece de 3 a 25 de Novembro e contará com debates, filmes e shows. Todas as atividades acontecerão na Faculdade de Educação da USP (campus Butantã – pegar qualquer ônibus para a USP e descer no 1º ponto da Cid. Universitária).

Debates19h30Sala 124
Filmes18hCentro Acadêmico Professor Paulo Freire
Shows22h – você saberá onde é

03/11 – Debate 1 – Pedagogia Libertária, algumas experiências

Raisa Guimarães -Graduanda de Pedagogia – UNIFESP
O anarquismo apresenta-se principalmente como um movimento político que nasceu das classes menos favorecidas, econômica e politicamente, na Europa do século XVIII. E a representação máxima contra os aparelhos estatais e a Igreja visto por eles como alienantes das massas e que por isso devem ser destruídos. Contudo para conseguirem alcançar a revolução social com base na igualdade e liberdade, os anarquistas expressam de formar enfática numa transformação do ensino para as crianças das classes populares, uma educação que não seja para formar mão-de-obra barata, mas uma educação revolucionária, emancipadora baseada no apoio mútuo, na co-educação de gêneros, na autogestão. Para aqueles que pensam que essas idéias e ideais são apenas utopias não realizáveis, venho mostra-lhes algumas experiências estrangeiras e brasileiras de educação libertária.

04/11 – Filme 1 – A estratégia do caracol (1993 – Colômbia)

Moradores da Casa Uribe, propriedade de Dr. Holguín, um jovem magnata, lutam contra as ameaças de desalojo. Defendendo o edifício contra juízes e policiais, planejam uma original estratégia, proposta por Dom Jacinto, um velho anarquista espanhol. A luta contra os especuladores parece estar perdida antes de começar, mas os vizinhos estão dispostos a fazer todo o possível para defender sua dignidade.

09/11 – Debate 2 – Espaços Autônomos

Biblioteca Terra Livre e Ativismo ABC
Os espaços autônomos se constituem desde o início do movimento anarquista como espaços de encontro. Historicamente grupos anarcosindicalistas, centros de cultura e escolas libertárias se organizavam no mesmo espaço físico. Na história recente do anarquismo brasileiro os espaços autônomos anarquistas tem desempenhado um importante papel para o encontro e difusão de anarquistas.
A Biblioteca Terra Livre (São Paulo) e o Coletivo Ativismo ABC (Santo André) trarão a experiência da vivência, da construção e manutenção destes espaços ao longo dos últimos dez anos. Buscando debater sobre o caráter educativo que tais iniciativas podem adquirir a partir da prática e experiência da manutenção de um local físico e permanente, de gestão e uso coletivo.

10/11 – Debate 3 – Autonomia Operária como pedagogia

Paulo V. Marques Dias – Doutorando em Estado, Sociedade e Educação pela FEUSP.
Através de uma visita a teóricos heréticos dentro do marxismo, que se posicionavam contra o estatismo e a burocracia, podemos vislumbrar todo um universo teórico e conceitual muito útil às lutas sociais. No caso, trata-se da abordagem sobre a formação dos sujeitos feita dentro da perspectiva autonomista, que vai desde uma crítica da burocracia, do estado, da organização do trabalho na empresa e da estrutura hierarquica e fabril escolar, até uma crítica ampla da indústria cultural e dos lazeres programados como forma educativa do capital estabelecer seu controle social. Igualmente, esta análise não olha apenas para os mecanismos de dominação, mas considera a resistência espontânea e autônoma engendrada pelos trabalhadores dentro do processo, criando alternativas sociais de organização nova. Assim, a luta autônoma se transforma na pedagogia da geração da consciência através da luta social e no processo, dispensando formas de direção de consciência e adestramento dos indivíduos

11/11 – Filme 2 – Patagônia Rebelde (1974 – Argentina)

A trama começa quando frente a situação econômica as sociedadas trabalhadoras de Puerto San Julián e Río Gallegos, afiliadas a chamada “FORA comunista”, dominada pelos anarcossindicalistas para distinguir-la da “FORA do 9º Congresso”, dominada pelos sindicalistas revolucionários, começam uma campanha de sindicalização de peões, esquiladores e outros assalariados, mas a resposta dos estancieros foi extremadamente dura: despedidos, violência, ameaças, a simples elaboração de petições por parte dos peões podia dar lugar a represalias. Esta conduta de intensificação do conflito que traria a rebelião dos trabalhadores contra os patrões e as instituições estatais.

17/11 – Debate 4 – Educação-Cultura e Anarquismo

Doris Accioly – Professora da FEUSP
A inseparabilidade educação-cultura na experiência anarquista, tendo como referência o movimento anarquista na Espanha e no Brasil, entre finais do século XIX e a década de 1930. O modo como os anarquistas fizeram sempre da cultura um ato pedagógico, educativo. Algumas concepções estéticas anarquistas , sublinhando sua singularidade frente a outras , inclusive relativamente ao campo político-social do que em geral se denomina esquerda.

18/11 – Filme 3 – Libertárias (1996 – Itália, Espanha e Bélgica)

Em 18 de julho de 1936 o exército espanhol se rebela contra o Governo da República. Seis mulheres de origens e classes sociais diferentes se organizam em um grupo de anarquistas para lutar, de igual para igual com os homens, contra as tropas nacionais. Uma freira que descobre a solidariedade fora da fé, prostitutas, operárias, etc., unidas para defender seus ideais políticos e, ao mesmo tempo, fazer entender a seus companheiros as mudanças ideológicas e sociais pelas quais elas também almejam conquistar.

23/11 – Debate 5 – Autonomia e Conhecimento Livre

Biblioteca Terra Livre
A Biblioteca Terra Livre e Grupo de Estudos Educação e Anarquismo promoverão um debate sobre a experiência dos Grupos de Estudos e a importância da Autonomia para a construção de um conhecimento livre e libertador. A intenção deste debate é compartilhar esta experiência de educação libertária que já vem ocorrendo a um ano, na sede da Biblioteca, quinzenalmente. As leituras do grupo já passaram por textos clássicos do pensamento anarquista bem como pelas experiências de escolas anarquistas realizadas no Brasil e no mundo. O debate será aberto a todos.

24/11 – Debate 6 – Pedagogia Libertária e construção da liberdade

Silvio Gallo – Professor da FE/UNICAMP
Quando falamos em pedagogia libertária, pensamos logo em liberdade. A pedagogia libertária, sem dúvida, é uma prática de educação para a liberdade. Mas a questão é saber o que é liberdade. Não são poucos os conceitos de liberdade, mas podemos agrupá-los em duas grandes linhas: aqueles que consideram a liberdade uma característica natural do indivíduo; e aqueles que pensam a liberdade como uma construção social, coletiva.

No primeiro grupo, temos os filósofos liberais, como John Locke, Jean-Jacques Rousseau, por exemplo, que pensam a liberdade desde uma perspectiva individual. O caso de Rousseau é emblemático para a educação, uma vez que ele escreveu um tratado sobre como educar um indivíduo em liberdade, desde seu nascimento (Emílio, ou da Educação, publicado em 1762). Essa visão de liberdade está articulada com uma concepção individualista de sociedade.

No outro grupo, podemos colocar filósofos anarquistas, como Pierre-Joseph Proudhon ou Mikhail Bakunin, que se esforçaram por pensar a liberdade em uma outra direção, coletivista e não individualista. Eles defenderam que não faz o menor sentido pensar a liberdade como atributo do indivíduo, pois não faz sentido dizer que alguém é livre quando vive sozinho. Só podemos falar que somos livres quando vivemos com outros, em meio a outros e a liberdade deles não é um impedimento para minha própria liberdade, mas sua confirmação. Em sua concepção, a liberdade é uma coisa que se constrói coletivamente, em sociedade. Algo que não nasce conosco, mas que precisamos aprender, conquistar e construir.

Há escolas libertárias que se basearam nas ideias de Rousseau e sua proposta era a de educar a criança partindo do princípio de que ela é livre desde que nasce. Mas outras escolas libertárias, notadamente aquelas criadas por Paul Robin, por Sébastien Faure, por exemplo, esforçaram-se por pensar e praticar uma pedagogia que não parte da liberdade da criança como um dado, mas como algo que precisa ser construído. Essas escolas desenvolveram a ideia de uma educação integral do indivíduo, na qual a construção da liberdade é uma espécie de aprendizado coletivo, que se faz no cotidiano das atividades na escola.

25/11 – Debate 7 – Ferrer y Guardia: Pedagogo e Anarquista

Laboratório de Estudos e Práticas da Autogestão (L.A.P.A.)
Francisco Ferrer y Guardia acreditava que uma proposta educativa deveria possibilitar a criticidade e criatividade dos educandos, por isso a educação não deveria estar presa a dogmas e a um Estado que pretende manter o sistema de dominação do homem pelo homem. Sendo assim, se fez necessário criar uma escola, que possibilitasse a educação integral para todas as crianças, independente de gênero, raça e classe social, pois todos os humanos devem conviver entre si como iguais, sendo capazes de como iguais, respeitar as diferenças, por isso Ferrer era contrário ao ensino ministrado pelo Estado e pela Igreja, pois o mesmo não tinha a devida preocupação com a formação do sujeito histórico critico, e sim cumpria a função social de formatar seres aptos a assumirem seus papeis previamente delimitados por sua classe social dentro do sistema social vigente.

29 de out de 2011

Carta de Foz do Iguaçu | 1º Encontro Mundial de Blogueiros

O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.
Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:
- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;
- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;
- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.
- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.
- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio à Cuba.
Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.


Carta de Foz do Iguaçu | 1º Encontro Mundial de Blogueiros

28 de out de 2011

Ao vivo | 1º Encontro Mundial de Blogueiros

Ao vivo | 1º Encontro Mundial de Blogueiros

programação para hoje apartir das 14:00

14 horas – Painel: “As experiências no Brasil”

- Leandro Fortes – jornalista da revista CartaCapital, blogueiro e da comissão nacional do BlogProg;
- Esmael Moraes – criador do blog do Esmael.
- Conceição Oliveira – criadora do blog Maria Frô e tuiteira.
- Bob Fernandes – editor do sitio Terra Magazine [*];
* Mesa dirigida por Maria Inês Nassif (Carta Maior) e Daniel Bezerra (blogueiro do Ceará);

16 horas – Debate: A luta pela liberdade de expressão e pela democratização da comunicação.

– Paulo Bernardo – ministro das Comunicações do Brasil [*];
- Jesse Chacón – ex-ministro das Comunicações da Venezuela;
- Damian Loreti – integrante da comissão que elaborou a Ley de Medios na Argentina;
- Blanca Josales – ministra das Comunicações do Peru;
* Mesa dirigida por Julieta Palmeira (associação de novas mídias da Bahia) e Tica Moreno (blogueiras feministas);

18 horas – Ato de encerramento.

1º Encontro Mundial de Blogueiros



http://blogueirosdomundo.com.br/

27 de out de 2011

Educari


O ser humano forma seu caráter, seus gostos e desgostos cotidianamente, sendo a educação nossa principal formadora, tornando assim este desenvolvimento sobre uma educação que supra nossas necessidades de uma maneira saudável, o ar livre, à luz, a alimentação.


Ao desejar uma sociedade livre de opressores pensamos sobre a educação da maneira mais justa possível. Entendendo a palavra educação a partir do seu significado latino, composto por é e educari, sendo a educação do exterior para o interior. Logo a educação depende de todos e tudo, aprendemos uns com os outros e com o meio que nos cerca seja este natural ou social.


O que podemos esperar de uma sociedade que impede esta educação livre, rica e dinâmica, natural como à própria vida? O que deve aprender o homem? A viver.


Viver significa desenvolver todas as nossas faculdades, realizar todas as aptidões colocando em prática o conhecimento assim adquirindo-o, não somente para si, mas também para os demais, por isso é necessário saber, adquirir consciência, sobre o que significa: “ser humano”.


Para conseguirmos sermos humanos, homens e mulheres completos necessitamos de livre estudo e livre exercício de todos os nossos membros. Em nossa realidade o homem civil nasce, vive e morre em escravidão, “nossos pais pensam deste modo, devemos pensar como eles”, tal pensamento perpetua este servilismo construindo moldes, não seres humanos. Moldados por uma moral baseada na perpetuação desta sociedade nociva a liberdade do nosso desenvolvimento constante, pois tanto nós como nosso meio se modifica indefinidamente.


Estas modificações vitais a nós seres humanos e também a todo o ambiente que nos cerca tem como conseqüência a realidade, por isso pensar nelas de uma maneira justa baseando-se na liberdade para construir uma educação antiautoritária é necessário, preocupando-se com a construção do ser completo, sem segmentá-lo a operário ou intelectual.


Levando em consideração a educação como meio de transformação percebemos à escola como um campo politico-social onde podemos escolher perpetuar os costumes sociais vigentes ou transforma-los. Quando tomamos consciência desta politicidade, desta realidade sofrida que a educação oficial nos proporciona, torna-se possivel a partir de tais reflexões ocorrer mudanças significativas em nossa prática educativa, buscando alternativas entre nossos ideias e a realidade compreendendo que a educação é inseparavel da revolução.


A partir do principio de liberdade nosso ideal não pode força a realidade tornando este ideal uma norma, todavia não podemos nos acomodar com esta realidade educativa nada romântica. 
karina meireles

25 de out de 2011

19 de out de 2011

“Direita precisou ressuscitar cabo Anselmo”

publicada segunda-feira, 17/10/2011 às 23:27 e atualizada terça-feira, 18/10/2011 às 13:20
“Direita precisou ressuscitar cabo Anselmo depois da criação da Comissão da Verdade”
Por Bia Barbosa,  na Carta Maior

Na noite desta segunda-feira (17), a TV Cultura volta a transmitir ao vivo o programa Roda Viva, sob o comando agora do jornalista Mario Sergio Conti, diretor de redação da revista “piauí” e ex-diretor da “Veja”. O entrevistado é o ex-militar José Anselmo dos Santos – o cabo Anselmo – que, expulso da Marinha após um motim, nos anos 60, foi preso pela ditadura militar. Em troca da liberdade, delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, incluindo sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta pela tortura. Cooptado pelos órgãos de segurança, tornou-se agente duplo. E sua atuação foi decisiva para desmontar grupos de resistência armada urbana à ditadura.
 
Entre os entrevistadores de hoje estão os jornalistas Fernando de Barros e Silva e Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo; Fausto Macedo, do Estadão; e Jorge Serrão, autor do livro “O Homem que não existe – o Cabo Anselmo abre seus Arquivos”, escrito em parceria com o entrevistado.
 
Segundo jornalistas da TV Cultura ouvidos pela Carta Maior, Cabo Anselmo pleiteia, com a entrevista, reivindicar uma identidade, já que até hoje vive “perseguido e como clandestino”. Oficialmente, ele não possui nenhum documento de identificação (como RG ou CPF) emitido pelo Estado brasileiro. Mas, segundo a equipe da Cultura, a bancada do Roda Viva, em teoria, terá liberdade para perguntar o que quiser ao ex-militar. A produção do programa recebeu um novo livro do cabo Anselmo, ainda não publicado, onde ele revela mais nomes e fatos sobre o período da ditadura.
 
O advogado Aton Fon Filho, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, no entanto, não apenas tem poucas expectativas em relação à entrevista como acredita que o programa será uma expressão das vozes militares. Membro do Comitê Nacional pelo Direito à Memória, à Verdade e à Justiça – que tem feito diversas mobilizações pelo país pedindo alterações no projeto de lei de criação da Comissão da Verdade aprovado na Câmara dos Deputados – Fon acredita que a participação do Cabo Anselmo no Roda Viva desta noite é mais uma ação da direita.
“Em função de todo o debate sobre a Comissão da Verdade no país, a direita está reagindo. Podemos achar que é impossível mudar a correlação de forças para alterar o projeto da Comissão da Verdade e avançar rumo à Justiça. Mas estamos obrigando a direita a desenterrar pessoas como o Cabo Anselmo e figuras como Jorge Serrão e Mario Sergio Conti para dar uma resposta. Essa bancada de entrevistadores é de extrema-direita”, criticou. “Podem perguntar o que quiserem, mas um indivíduo como o Cabo Anselmo sempre terá uma justificativa para tudo. Não é igual filme americano, em que uma boa pergunta pode desbaratar uma testemunha plantada”, acrescentou.
 
Para familiares de mortos e desaparecidos políticos e militantes de defesa dos direitos humanos, dar espaço para um discurso como o de Cabo Anselmo na TV brasileira neste momento revela que os setores reacionários continuam contando com o apoio da grande mídia para evitar que se faça justiça no Brasil em torno das violações praticadas pelo regime militar. E se os aparelhos de repressão continuam funcionando a todo vapor – como revelou a reportagem de Leandro Fortes na última edição de Carta Capital – o colaboracionismo de parcela da imprensa com os militares também pode não ter se dissipado nos últimos 30 anos.
 
“Não nos esqueçamos que a Escola Superior de Guerra está aí, dando cursos para jornalistas frequentemente”, lembrou Fon.

--
"O resto da espécie humana
Já não quer pensar
Vê o mundo em cifras
Come e não quer plantar
Usurfruem da sorte
De um planeta gentil
Olho pra essas amebas
Como gado sem direção
Sem direção!
"
 
Cólera - "Quem é você?"
 
via email
 
 
 arte: banksy

11 de out de 2011

Educação e Aprendizagem

 

Embora haja muitos outros elementos que se unem para constituir o complexo processo que é a educação - como, por exemplo, conhecimento, compreensão, valores - uma coisa é certa: educação implica aprendizagem. Sem aprendizagem não há educação, o erro é constitutivo do processo de acerto, isto é, da construção do aprendizado.

Para uns aprender está para ensinar da mesma forma que ouvir esta para falar e ler para escrever, mais essa é uma visão totalmente erronia da realidade, pois, a aprendizagem não é simplismente a contra partida do ensino. O processo de aprendizagem é extremamente complexo e pode acontecer em função de inumeros fatores, dos quais, o ensino formal deliberado é apenas um deles, e nem de longe o mais importante.

A escola é uma instituição criada para promover a educação, contudo, ela se preocupa mais hoje com o ensino do que com a aprendizagem, sendo um local onde na maioria das vezes se ensina mas não se aprende.

karina meireles

 



9 de out de 2011

A aventura de uma vida diferente

Arte: Alex Gross



(ao olhar a nossa volta devemos buscar novas formas de encarar esta vida selvagem)

Com base em todas as informações que temos, que devemos considerar um colapso global do ecossistema durante a vida das gerações humanas, sem nem mesmo esperar a geração mais jovem atingir a maturidade. Em nosso país (referindo-se aos EUA) - a partir das costas e rios – este colapso será especialmente dramático.

O resultado das tentativas de salvar as pessoas da sua própria situação vai levar a uma luta terrível entre todos. Talvez possamos manter a ordem por algum tempo e, principalmente, para garantir o abastecimento de fora. Mas, em última análise, é uma medida incerta porque nossas armas são distribuídas rapidamente. Em 20 anos haverá muitos mais países com armas nucleares que existem hoje ... como o evitar terrorismo nuclear. E nós sabemos o quão vulnerável e complexa nossa infra-estrutura é.

Se queremos evitar isso, devemos enfrentar o perigo agora, pois ainda temos uma distância de frenagem justa e suficiente. Reconhece-se que ninguém pode dizer exatamente quão irreversiveis serão os danos o que não é nada bom, ninguém pode reavivar espécies extintas. Mas devemos acordar sobre um plano para evitar a sobrecarga e o colapso final da biosfera e atmosfera. Nós podemos fazer isso se juntarmos nossas mentes e nós reinar sobre nosso egoísmo.

Devemos começar com nós mesmos.

Há muito de alemão na Alemanha, muitos americanos na América, muitos brasileiros no Brasil e assim por diante. Nosso país não pode suportar o uso de energia média diária: 150-160 kilowatts / hora por pessoa. Vamos aceitar, pelo menos, uma redução no número de nascimentos, é claro, a migração causada pelo sistema industrial metropolitana deve cessar, pois só causa problemas sem resolver nenhum.

Em seguida, reduzir a carga afetados por nossas necessidades básicas de alimentação, vestuário, habitação, educação e saúde e as necessidades de segurança, mobilidade e comunicação, mas também de prazer e desenvolvimento. Como resultado das grandes organizações, tecnologias, sistemas de transporte determinado pelos mercados mundiais e da psicologia com a configuração de segurança, atender a essas necessidades, a um custo desproporcionado.

"Resolver" os problemas delas decorrentes - não menos importante para proteger o meio ambiente - pelo desenho de novas rotas na investigação de recursos não-renováveis ​​do planeta. Mas, como esse processo é estruturalmente determinado - isto é, dado o padrão de civilização que é insolúvel - é preciso fazer alterações na base da estrutura em si.

Isso se torna especialmente claro quando olhamos para as coisas que deveríamos abolir - porque sem as profundas mudanças estruturais seria o torso de um miserável megamaquina industrial -, que oferece mais frustração. O que, então, deve claramente desaparecer? Obviamente, a produção de energia nuclear. Mas também devemos remover o carro particular, deixando principalmente o tráfego de caminhões e veículos especiais, e fechar a maioria dos aeroportos. Naturalmente, a roda militar deve parar de girar. Cortamos o número de carros e o volume de produtos químicos que produzimos, e devemos abolir a indústria de armas completamente.
Como vamos ficar sem o trabalho industrial, abolido, teremos uqe ir principalmente aos recursos minerais, agrícolas e como poderemos  podemos encontrar nossa terra? Em seguida, devemos lembrar que nós, seres humanos, nem sempre têm sido isolados da terra nutrindo e ferramentas de trabalho - isolado, não só pela distância, mas também pela falta de relações apropriadas.

Além da densidade de seus assentamentos, a terra do nosso país ainda é suficiente para satisfazer as nossas necessidades através da agricultura e da agricultura natural, especialmente se cortar o consumo de carne. Poderiamos nos alimentar através do trabalho de nossas mãos.

Para a produção de ferramentas, contentores, armazenagem e residências, uma pequena indústria é mais que suficiente, desde que, limitar a produção de insumos básicos para a vizinhança imediata - uma raio de cerca de 25 ou 30 quilômetros. Se nos concentrarmos em nossas mentes uma tecnologia agradável e bonita, o resultado prodería ser uma ferramenta de alta produção sem necessidade de mais de quatro horas por dia de trabalho por pessoa.

Tudo depende da vontade de uma existência localmente organizada em torno da comunidade e da vida juntos. A divisão do trabalho seria construída de novo com isso. No centro das coisas não seria, no entanto, o trabalho, mas a vida, o tráfego de amor interpessoal cultural altamente carregada, onde os valores do "ser" estão acima dos valores de "ter".

Portanto, a coisa mais imediata a fazer é se familiarizar com a comunidade de desenvolvimento: começar a olhar para as pessoas, famílias e grupos que podem compartilhar a aventura de uma vida diferente.

Texto de Rudolf Bahro em "Evitar desastre social e ecológico: A Política de transformação do mundo."
Traduzido por Karina Meireles


8 de out de 2011

moscando



uma mosca
voando redondo
em círculos quadrados
mosca moscando
fosca latina
que passa sobre fezes
logo mais sobre teus alimentos
mosca moscando:
 ai!
um brilho nos olhos
a mosca sem olhos
por uma mosca, cem olhos
em vida e morte
natureza que chama
vem
voar
atirar
 
a cada batida pobre do teu coração
a cada loucura podre do teu pensamento
a cada catástrofe dos teus vôos no mundo
mosca moscando sobre poemas

km

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás