O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

31 de out de 2011

Novembro Negro


Esforçamo-nos para adquirir, dentro dos limites de nossas possibilidades, esta educação integral que deve ser generalizada; estudamos os escritores que falaram dela, procuramos informar-nos sobre as novas tentativas, com maior ou menor êxito, relativa à educação particular e coletiva; muitas discussões com pensadores honestos nos ajudam a considerar o problema sob suas diversas facetas.
Paul Robin

A fim de dar sequência a esse esforço acontecerá o Novembro Negro, evento de divulgação e debate de ideias anarquistas, dando ênfase à educação libertária. O evento acontece de 3 a 25 de Novembro e contará com debates, filmes e shows. Todas as atividades acontecerão na Faculdade de Educação da USP (campus Butantã – pegar qualquer ônibus para a USP e descer no 1º ponto da Cid. Universitária).

Debates19h30Sala 124
Filmes18hCentro Acadêmico Professor Paulo Freire
Shows22h – você saberá onde é

03/11 – Debate 1 – Pedagogia Libertária, algumas experiências

Raisa Guimarães -Graduanda de Pedagogia – UNIFESP
O anarquismo apresenta-se principalmente como um movimento político que nasceu das classes menos favorecidas, econômica e politicamente, na Europa do século XVIII. E a representação máxima contra os aparelhos estatais e a Igreja visto por eles como alienantes das massas e que por isso devem ser destruídos. Contudo para conseguirem alcançar a revolução social com base na igualdade e liberdade, os anarquistas expressam de formar enfática numa transformação do ensino para as crianças das classes populares, uma educação que não seja para formar mão-de-obra barata, mas uma educação revolucionária, emancipadora baseada no apoio mútuo, na co-educação de gêneros, na autogestão. Para aqueles que pensam que essas idéias e ideais são apenas utopias não realizáveis, venho mostra-lhes algumas experiências estrangeiras e brasileiras de educação libertária.

04/11 – Filme 1 – A estratégia do caracol (1993 – Colômbia)

Moradores da Casa Uribe, propriedade de Dr. Holguín, um jovem magnata, lutam contra as ameaças de desalojo. Defendendo o edifício contra juízes e policiais, planejam uma original estratégia, proposta por Dom Jacinto, um velho anarquista espanhol. A luta contra os especuladores parece estar perdida antes de começar, mas os vizinhos estão dispostos a fazer todo o possível para defender sua dignidade.

09/11 – Debate 2 – Espaços Autônomos

Biblioteca Terra Livre e Ativismo ABC
Os espaços autônomos se constituem desde o início do movimento anarquista como espaços de encontro. Historicamente grupos anarcosindicalistas, centros de cultura e escolas libertárias se organizavam no mesmo espaço físico. Na história recente do anarquismo brasileiro os espaços autônomos anarquistas tem desempenhado um importante papel para o encontro e difusão de anarquistas.
A Biblioteca Terra Livre (São Paulo) e o Coletivo Ativismo ABC (Santo André) trarão a experiência da vivência, da construção e manutenção destes espaços ao longo dos últimos dez anos. Buscando debater sobre o caráter educativo que tais iniciativas podem adquirir a partir da prática e experiência da manutenção de um local físico e permanente, de gestão e uso coletivo.

10/11 – Debate 3 – Autonomia Operária como pedagogia

Paulo V. Marques Dias – Doutorando em Estado, Sociedade e Educação pela FEUSP.
Através de uma visita a teóricos heréticos dentro do marxismo, que se posicionavam contra o estatismo e a burocracia, podemos vislumbrar todo um universo teórico e conceitual muito útil às lutas sociais. No caso, trata-se da abordagem sobre a formação dos sujeitos feita dentro da perspectiva autonomista, que vai desde uma crítica da burocracia, do estado, da organização do trabalho na empresa e da estrutura hierarquica e fabril escolar, até uma crítica ampla da indústria cultural e dos lazeres programados como forma educativa do capital estabelecer seu controle social. Igualmente, esta análise não olha apenas para os mecanismos de dominação, mas considera a resistência espontânea e autônoma engendrada pelos trabalhadores dentro do processo, criando alternativas sociais de organização nova. Assim, a luta autônoma se transforma na pedagogia da geração da consciência através da luta social e no processo, dispensando formas de direção de consciência e adestramento dos indivíduos

11/11 – Filme 2 – Patagônia Rebelde (1974 – Argentina)

A trama começa quando frente a situação econômica as sociedadas trabalhadoras de Puerto San Julián e Río Gallegos, afiliadas a chamada “FORA comunista”, dominada pelos anarcossindicalistas para distinguir-la da “FORA do 9º Congresso”, dominada pelos sindicalistas revolucionários, começam uma campanha de sindicalização de peões, esquiladores e outros assalariados, mas a resposta dos estancieros foi extremadamente dura: despedidos, violência, ameaças, a simples elaboração de petições por parte dos peões podia dar lugar a represalias. Esta conduta de intensificação do conflito que traria a rebelião dos trabalhadores contra os patrões e as instituições estatais.

17/11 – Debate 4 – Educação-Cultura e Anarquismo

Doris Accioly – Professora da FEUSP
A inseparabilidade educação-cultura na experiência anarquista, tendo como referência o movimento anarquista na Espanha e no Brasil, entre finais do século XIX e a década de 1930. O modo como os anarquistas fizeram sempre da cultura um ato pedagógico, educativo. Algumas concepções estéticas anarquistas , sublinhando sua singularidade frente a outras , inclusive relativamente ao campo político-social do que em geral se denomina esquerda.

18/11 – Filme 3 – Libertárias (1996 – Itália, Espanha e Bélgica)

Em 18 de julho de 1936 o exército espanhol se rebela contra o Governo da República. Seis mulheres de origens e classes sociais diferentes se organizam em um grupo de anarquistas para lutar, de igual para igual com os homens, contra as tropas nacionais. Uma freira que descobre a solidariedade fora da fé, prostitutas, operárias, etc., unidas para defender seus ideais políticos e, ao mesmo tempo, fazer entender a seus companheiros as mudanças ideológicas e sociais pelas quais elas também almejam conquistar.

23/11 – Debate 5 – Autonomia e Conhecimento Livre

Biblioteca Terra Livre
A Biblioteca Terra Livre e Grupo de Estudos Educação e Anarquismo promoverão um debate sobre a experiência dos Grupos de Estudos e a importância da Autonomia para a construção de um conhecimento livre e libertador. A intenção deste debate é compartilhar esta experiência de educação libertária que já vem ocorrendo a um ano, na sede da Biblioteca, quinzenalmente. As leituras do grupo já passaram por textos clássicos do pensamento anarquista bem como pelas experiências de escolas anarquistas realizadas no Brasil e no mundo. O debate será aberto a todos.

24/11 – Debate 6 – Pedagogia Libertária e construção da liberdade

Silvio Gallo – Professor da FE/UNICAMP
Quando falamos em pedagogia libertária, pensamos logo em liberdade. A pedagogia libertária, sem dúvida, é uma prática de educação para a liberdade. Mas a questão é saber o que é liberdade. Não são poucos os conceitos de liberdade, mas podemos agrupá-los em duas grandes linhas: aqueles que consideram a liberdade uma característica natural do indivíduo; e aqueles que pensam a liberdade como uma construção social, coletiva.

No primeiro grupo, temos os filósofos liberais, como John Locke, Jean-Jacques Rousseau, por exemplo, que pensam a liberdade desde uma perspectiva individual. O caso de Rousseau é emblemático para a educação, uma vez que ele escreveu um tratado sobre como educar um indivíduo em liberdade, desde seu nascimento (Emílio, ou da Educação, publicado em 1762). Essa visão de liberdade está articulada com uma concepção individualista de sociedade.

No outro grupo, podemos colocar filósofos anarquistas, como Pierre-Joseph Proudhon ou Mikhail Bakunin, que se esforçaram por pensar a liberdade em uma outra direção, coletivista e não individualista. Eles defenderam que não faz o menor sentido pensar a liberdade como atributo do indivíduo, pois não faz sentido dizer que alguém é livre quando vive sozinho. Só podemos falar que somos livres quando vivemos com outros, em meio a outros e a liberdade deles não é um impedimento para minha própria liberdade, mas sua confirmação. Em sua concepção, a liberdade é uma coisa que se constrói coletivamente, em sociedade. Algo que não nasce conosco, mas que precisamos aprender, conquistar e construir.

Há escolas libertárias que se basearam nas ideias de Rousseau e sua proposta era a de educar a criança partindo do princípio de que ela é livre desde que nasce. Mas outras escolas libertárias, notadamente aquelas criadas por Paul Robin, por Sébastien Faure, por exemplo, esforçaram-se por pensar e praticar uma pedagogia que não parte da liberdade da criança como um dado, mas como algo que precisa ser construído. Essas escolas desenvolveram a ideia de uma educação integral do indivíduo, na qual a construção da liberdade é uma espécie de aprendizado coletivo, que se faz no cotidiano das atividades na escola.

25/11 – Debate 7 – Ferrer y Guardia: Pedagogo e Anarquista

Laboratório de Estudos e Práticas da Autogestão (L.A.P.A.)
Francisco Ferrer y Guardia acreditava que uma proposta educativa deveria possibilitar a criticidade e criatividade dos educandos, por isso a educação não deveria estar presa a dogmas e a um Estado que pretende manter o sistema de dominação do homem pelo homem. Sendo assim, se fez necessário criar uma escola, que possibilitasse a educação integral para todas as crianças, independente de gênero, raça e classe social, pois todos os humanos devem conviver entre si como iguais, sendo capazes de como iguais, respeitar as diferenças, por isso Ferrer era contrário ao ensino ministrado pelo Estado e pela Igreja, pois o mesmo não tinha a devida preocupação com a formação do sujeito histórico critico, e sim cumpria a função social de formatar seres aptos a assumirem seus papeis previamente delimitados por sua classe social dentro do sistema social vigente.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás