O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

25 de nov de 2011

[EUA] O que eles querem?



por Mumia Abu-Jamal

Com poucas exceções, a maioria da mídia corporativa, cadeias de televisão, jornais nacionais, etc. têm tratado os protestos do Okupa Wall Street do mês passado como algo semelhante a um OVNI: curioso, estranho e inescrutável.

Desde os microfones de todo o país ouvimos as mesmas perguntas: O que eles querem? Quais são as suas exigências? ou Por que fazem isso?

Ao fazer isso, a mídia tem difundido mais confusão do que informação e tem prejudicado seus ouvintes, telespectadores e leitores. Tornaram-se provedores de desinformação e, para dizer o mínimo, não são muito honestos.

O movimento okupa não poderia ter sido mais claro sobre as suas metas e objetivos. De fato, apenas alguns dias após o início de sua ocupação, publicaram um jornal de 4 páginas a cores chamado Wall Street Jornal Ocupado. Traz uma declaração na 3ª página, anunciando exatamente o que os uniu e por quê. É intitulado “A Declaração da Ocupação” e em sua linguagem e tom, é muito semelhante à Declaração da Independência.

Fala da “solidariedade” com os outros e busca acabar com a “injustiça massiva” enfrentada por milhões de americanos e outras pessoas que “se sentem ofendidas pelas forças corporativas do mundo”.

Em suma, levantam a voz contra a ganância corporativa, as execuções hipotecárias, os resgates financeiros de Wall Street, a discriminação, os empréstimos estudantis a taxas exorbitantes, a corrupção política, a degradação ambiental, as guerras no exterior, e o controle corporativo dos meios de comunicação que “mantém as pessoas desinformadas e com medo”.

Aha. Aí está.

Não é ciência nuclear. Não poderia ser mais clara.

O jornal é doado.

Se os jornalistas não puderam ter tempo para ir ao centro de Manhattan, ou ao centro de sua cidade, para encontrar uma cópia, poderão ver em seu computador em: occupywallst.org.

Sério.

Note que eu não tenho acesso a um computador. Isso não é permitido no corredor da morte. E não só isso. Não é permitido em qualquer prisão do estado da Pensilvânia.

Mas um contato me enviou uma cópia do Wall Street Jornal Ocupado por correio e eu li. Por que não poderiam ter feito o mesmo os jornalistas da grande mídia? A menos que queriam “manter as pessoas desinformadas”.

Do corredor da morte, sou Mumia Abu-Jamal.

Quarta-feira, 2 de novembro de 2011

[Mumia livre já! No dia 9 de dezembro de 2011 completa 30 anos de detenção e prisão do jornalista revolucionário Mumia Abu-Jamal. Mumia é um prisioneiro político condenado à morte NÃO por assassinar o policial Daniel Faulkner na Filadélfia, em 9 de dezembro de 1981, como alegam seus inimigos liderados pela Ordem Fraternal da Polícia (FOP) e a Promotoria daquela cidade, mas por seu ativismo com os Panteras Negras, a sua proximidade com a organização MOVE e seu jornalismo honesto e combativo. Sua sentença vingativa só reflete o medo dos ricos e poderosos ao seu exemplo de luta que poderia ser seguido pela juventude de hoje. Mumia livre já!]

agência de notícias anarquistas-ana



pica-pau pinica

na fenda da amendoeira

o suco da vida

Wagner Marim

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás