O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

7 de dez de 2011

[Grécia] 6 de dezembro de 2011: Três anos depois, as manifestações dos estudantes enviam múltiplas mensagens para a sociedade


6 de dezembro de 2011: três anos após o assassinato do adolescente Alexandros Grigoropoulos por dois policiais, guardas do Regime, a Democracia nos quer fazer esquecer, quer impor a sua normalidade, através da repressão, do terrorismo e da desinformação. Quer espalhar o medo, acabar com as manifestações contra a sua Soberania. Hoje, no entanto, recebeu uma resposta de milhares de alunos e estudantes, que enviaram várias e múltiplas mensagens a sociedade grega e aos oprimidos de todo o mundo.

Desde a manhã desta terça-feira, se espalhou por todo o centro de Atenas uma atmosfera de terror. Agentes de segurança, secretas e policiais à paisana estavam espalhados por todas as partes. Detiveram fotógrafos e tiraram as suas câmeras, intimidaram as pessoas que iam para o centro para participar das manifestações, fecharam as estações de metrô e bombardearam os passageiros com publicidade constante, aterrorizando-os com a TV e o rádio.

Pela manhã, em vários pontos dos bairros nos arredores de Atenas foram realizadas concentrações massivas, com bloqueios de ruas, cercos de delegacias de polícia e confrontos com as forças da guarda pretoriana da ditadura parlamentar. Muitas delas tornaram-se passeatas pelos bairros e depois se dirigiram para o centro da cidade, onde havia sido convocada a manifestação estudantil de toda Atenas.

A manifestação dos estudantes do ensino secundário começou por volta do meio-dia. Mais de 5.000 pessoas marcharam até o Parlamento. Ali começaram os conflitos entre alunos e policiais da chamada tropa de choque, armados até os dentes. Os alunos estiveram jogando pedras, objetos e coquetéis molotov ao pé do Parlamento, onde fica o Monumento do Soldado Desconhecido. Os policiais responderam com granadas de barulho, gás lacrimogêneo e outras substâncias químicas. Os conflitos continuaram por muito tempo. Em seguida, os policiais cercaram e evacuaram a Praça do Parlamento (Syntagma). Os manifestantes foram evacuados e espalhados, no início para os arredores da praça, e depois foram dispersados pela polícia para várias direções.

Houve vários feridos e detidos. Os policiais não hesitaram em lançar gases e granadas de barulho até o centro de primeiros socorros que tinha sido montado no centro da praça. Da mesma forma eles fizeram dentro da estação de metrô, onde estavam sendo transportados os feridos para o consultório da estação. Além disso, vários dos lesionados, incluindo um gravemente ferido, tiveram que ficar mais de duas horas esperando para serem recolhidos por uma ambulância.

Poucos minutos antes da manifestação, grupos da chamada tropa de choque e policiais à paisana invadiram o edifício do espaço social livre "Nosotros", que fica a poucos minutos do Propyleos da velha Universidade, onde ia começar a marcha dos estudantes. O ataque durou menos de meia hora. Durante este tempo as pessoas que se reuniram em frente do prédio do espaço "Nosotros” foram fortemente evacuadas pelos policiais. Mais uma vez o Regime da Democracia não esconde as aparências, nem sequer respeita suas próprias leis: o ataque foi conduzido sem nenhum mandado judicial, porque o espaço “Nosotros" está abrigado em um prédio alugado.

Note-se que pouco antes do início da manifestação, os estudantes e outros jovens identificaram um policial disfarçado dentro da manifestação e lhes deram uma surra. Esta é outra das muitas mensagens que enviaram os estudantes de Atenas para a sociedade.

Além disso, na cidade de Agrinio, muitos manifestantes entraram em confronto com as forças repressivas do Regime e depois dos conflitos ocuparam a Prefeitura Municipal¹. Em Tessalônica, muitos estudantes atacaram o pelotão de policiais, delegacias de polícia e ministérios. Durante a manifestação, não hesitaram em envolver-se em conversas ou discussões com pessoas que falaram com desprezo deles. "Vocês também nos destruíram a vida" foi um dos comentários dirigidos aos eleitores dóceis e obedientes dos partidos políticos governantes, que foram encontrados em seu caminho. Houve também incidentes semelhantes em várias outras cidades.

Às 18h (horário grego), haverá uma manifestação no centro de Atenas, organizada por vários grupos.

[1] Fotos: http://leguilotine.blogspot.com/2011/12/6122011.html


agência de notícias anarquistas-ana


Olhar esquivo


corpo ondulante


sonho vivo


Eugénia Tabosa

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás