O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

30 de mar de 2012

27 de mar de 2012

Cartier-Bresson, fotógrafo e anarquista


“O anarquismo é, acima de tudo, uma ética e, como tal, mantêm-se intacta. O mundo mudou, mas não o conceito libertário, o desafio frente todos os poderes. Com isso, conseguiu se liberar do falso problema da celebridade. Ser um fotógrafo conhecido é uma forma de poder e eu não o desejo” (Henri Cartier-Bresson, 1998).

Alguém disse algo parecido como onde tivermos que lutar por dignidade, haveria um anarquista. Esta reflexão do grande fotógrafo francês, libertário até o fim de sua longa e lúcida vida, é um exemplo. Cartier-Bresson esteve na Espanha durante a República, e voltaria várias vezes, identificando-se com os anarquistas espanhóis e reivindicando a anarquia como um sentido ético para a vida. Nunca abandonou seu compromisso social em sua turnê pela Europa, Ásia, África e América Latina, deixando para a posteridade numerosos momentos históricos e retratos de personagens, graças à sua Leica e sua objetiva de 50 mm. Não é tão conhecido por seu trabalho para o cinema, durante a década de 30, com Paul Strand nos Estados Unidos e com Jean Renoir na França. Sua primeira vocação, no entanto, seria a pintura e o desenho, considerando o surrealismo como uma forma subversiva que casava bem com suas ideias libertárias. É início dos anos 30 quando se fascina pela fotografia, mas nunca abandonaria sua “paixão privada” pelo surrealismo e seu amor pelo desenho, dedicando seus últimos anos para este lado e deixando muitos nus femininos feitos em carvão (curiosamente, este interesse artístico é muito diferente de sua fotografia). De fato, tinha um grande interesse em fotografia a pintores como Matisse - com quem teve uma grande amizade - Braque, Giacometti, Bonnard, Bacon e muitos outros.

Cartier-Bresson se tornou anarquista muito jovem, ao descobrir mundos diferentes ao das civilizações judaico-cristãs e muçulmanas. Diante da inanidade presente em um mundo onde a tecnologia permite uma corrida contínua de imagens, reivindicou sempre a sensibilidade do olho do artista. Curiosamente, e apesar de considerado um dos pais do fotojornalismo e de possuir um inegável compromisso com o social, se distância da obra de outro grande fotógrafo como Sebastião Salgado. Cartier-Bresson acreditava que o trabalho de Salgado não foi concebido pelo olho de um pintor, mas pelo de um sociólogo, economista e ativista; apesar de respeitar muito o seu trabalho, acreditava que o brasileiro colocava um “aspecto messiânico” que a ele mesmo era estranho. Em uma ocasião, rejeitou o trabalho documental e jornalístico, pois considerava “extremamente chato”, algo que o próprio Robert Capa o repreendeu, aconselhando-o a se afastar de suas origens surrealistas, coisa que Cartier-Bresson parece ter feito apenas publicamente. Em qualquer caso, parece que o fotógrafo francês nunca se considerou um repórter e reivindicou sempre sua subjetividade artística: “Quando vou a algum lugar, tento fazer uma foto que resuma uma situação que encante, que atraia o olhar e tenha um bom relacionamento de formas, que para mim é essencial. Um prazer visual”. Pode se dizer que o fotojornalismo, considerado como mera acumulação e registros de fatos, é para Cartier-Bresson o caminho para lugar nenhum;  a coisa verdadeiramente interessante é o ponto de vista a ser tomado sobre esses fatos, e a fotografia deve ser considerada como um re-evocação desses eventos. Além disso, não mais trabalhava para agências de publicidade, já que se manteve firme em sua crítica à sociedade de consumo desenvolvida desde a década de 60 do século XX. Sempre manteve até o fim sua rebeldia e encontrou mais motivos para alimentá-la com o surgimento da tecno-ciência, que ele considerava um verdadeiro monstro, e com a falácia do “conflito de gerações”; Cartier-Bresson reivindicava uma humanidade unida pela solidariedade, valor fundamental com o qual se encontrou uma e outra vez durante toda a sua turbulenta e longa vida, independentemente da sua idade ou condição.

Vejamos as palavras do próprio Cartier-Bresson sobre a atividade fotográfica: “Para mim, a fotografia é o reconhecimento simultâneo em uma fração de segundo do significado de um evento e a organização das formas que lhe dão seu próprio caráter”. O ser humano deve encontrar um equilíbrio entre sua vida interior e o mundo ao seu redor, buscando a influência recíproca e até mesmo considerar, finalmente, o resultado de um único mundo que reúne subjetividade e objetividade. Como visto, o fotógrafo francês rejeitava o sucesso e até mesmo o reconhecimento, mas queria transmitir algo às pessoas e saber, ao mesmo tempo, que era bem recebido.

Capi Vidal

Fonte: Tierra y Libertad – março de 2012, Espanha




agência de notícias anarquistas-ana





No colo da mãe,
Sem soltar o cata-vento,
Dorme a menina.
Sérgio Francisco Pichorim

26 de mar de 2012

TU



Chegastes
Abristes a porta
e nada falaste
O vento entrou
Pela porta que, escancarastes
Agora veja
galinhas entraram
copos fugiram
e
toalhas voaram.

Tu
nos meus olhos chegastes
sentastes na beira
na mesa
falaste:
quando partistes meu coração
Como se fosse um taco de pão
que te satisfazia quando tinha fome
em lagrimas fiquei

Em ciúmes
descansei minhas pernas!
 
Agora! Chegastes!
 Nos meus pensamentos nú ficaste
Mas o meu olhar
Sobrevoou o quarto
Por fim
seguindo o rastro
pousou no galho.
 
Km

24 de mar de 2012

Poezine PARANOIA #1(coletivo) Para Download

PARANOIA Poezine Coletivo | Aperiódico | Copyleft | Março – 2012 - @Josi_Calixto, @Karina_Meireles, @LuxAlt e Xey Letix

23 de mar de 2012

Documentário “White Terror”


[Impressionante documentário que mostra as inquietantes mudanças nos últimos anos dentro dos movimentos de extrema-direita na Europa. Este é um documentário imprescindível de olhar e difundir.]

Descrição do documentário
 
Nos últimos cinco anos tem havido uma mudança significativa dentro do movimento de extrema-direita: os veteranos há anos que se aposentaram, são demasiados velhos ou já morreram. Os novos ideólogos estão surgindo em toda a Europa e pulando para outros continentes. Não precisam necessariamente raspar a cabeça; criaram corporações, empresas de distribuição, clubes de música, revistas, editoras, sites na internet e substituíram as antigas simbologias por outras novas. No mundo globalizado em que vivemos, os propagadores do ódio encontraram na internet a ferramenta apropriada para avivar as ideias quase extintas para espalhar seus ideários a países tão distintos como Estados Unidos, Suécia ou Rússia. A coisa mais surpreendente é que, para os seguidores mais jovens, todos os sofrimentos do passado são uma espécie de história virtual e irreal.


Ver o vídeo, legendas em castelhano:

 
agência de notícias anarquistas-ana


Insetos que cantam...
Parece que as sombras se amam
nos cantos escuros.
Teruko Oda

14 de mar de 2012

Ps. Vento passando na folhinha do calendário



Vendo melhor o que vejo
vejo diferente
tão pequeno
ou grande
a certeza do borrão, já se sabe
é certa...

Nada é tão quente
como esse sol de asfalto
corajoso é aquele mato
majestoso ali na beira
se engraçando em uma rosa
sobre este céu destemido
e corre o vento
deixando tudo tão diferente.
Coisa nenhuma seria tão chata
se o sol não rachasse o talo,
De repente
Nada parece tão quente
Há flores no vaso por cima da mesa
Um sorriso e a velha Breja...
Coisa nenhuma se esqueceria
se a morte não se metesse na vida!

Km



11 de mar de 2012

Documentário Além do Ateu e do Ateísmo - Beyond the Atheist and Atheism



O ateu não é uma pessoa má e o ateísmo não é um bicho de sete cabeças. Este documentário traz seis entrevistados que abordam o assunto e falam sobre o preconceito que os ateus e o ateísmo sofrem. Porque o ateísmo é tão polêmico? Porque muitos tratam os ateus como pessoas ruins? Além do Ateu e do Ateísmo traz o ateísmo à superfície e joga as cartas para o assunto ser debatido, mostrando que o ser humano deve e tem o direito de pensar livremente e de forme racional.

Ateus não são pessoas más, e o ateísmo não é ruim para a sociedade. Seis pessoas, ateus ou não, falam sobre ateísmo, preconceito, moral, família e como lidar com o assunto.
Além do Ateu e do Ateísmo traz à superfície um assunto polêmico com o intuito de abrir espaço para a discussão do tema e para mostrar que todo ser humano tem direito ao livre pensamento e escolha.

Roteiro, Produção e Direção: Carine Immig e Fábio Goulart

Produtora: Plongée - www.plongee.com.br

Apoio: Curso de Comunicação Social - Unisc e Unisc TV

Agradecimentos:
ATEA -- Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos
LiHS -- Liga Humanista Secular do Brasil
Casa de Cultura Mário Quintana
Curso de Comunicação Social
Unisc TV
Åsa Heuser
Cassionei Petry
Cesar Goes
Edgar Hoffmann
Eli Vieira
Pablo Villaça
E a todos que apoiaram este projeto


Documentário produzido para a disciplina Documentário II.
Curso de Produção em Mídia Audiovisual - Universidade de Santa Cruz do Sul
Professor: Jair Giacomini

8 de mar de 2012

loucura pra ser lida



segurando nas mãos turvas
nas tortas linhas daquele jardim
na grama conversando
com gnomos e elas
estatuas nuas
semi-inauguradas
é muito amor
me conta tudo
a historia da vida
a cultura passada
pulsada
levada nas décadas do pensamento
enlouquece meus dias
e te protejo dos pombos

Haja
amor, força e vontade
Km

7 de mar de 2012

[Espanha] Documentário: "Indomáveis. Uma história de mulheres livres"



[Indomáveis é a última produção de ZerikusiA. Com este trabalho tenta trazer à tona outra parte da nossa história, a que conta a experiência de Mulheres Livres.]

Comunicado:

Mulheres Livres foi uma organização autônoma, fora das estruturas de qualquer órgão do movimento libertário. Sem abandonar suas raízes anarquistas praticaram um feminismo obreiro. Tinham como objetivo preparar as mulheres a participar pessoalmente na revolução libertária. Ou seja, queriam formar as mulheres, que sofriam altos índices de analfabetismo, e atraí-las para o movimento libertário.

Tiveram que lutar contra uma cultura católica profundamente enraizada e, o mais doloroso, contra a indiferença, quando não o desprezo, de seus companheiros e companheiras libertários. Apesar de ter alcançado mais de 20.000 afiliadas só na zona republicana, nunca foram aceitas como parte do Conselho Geral do Movimento Libertário. Com este documentário tentamos descobrir o que pensavam, qual era sua abordagem política e como desenvolveram o seu trabalho.

Para conseguir isso foram entrevistadas duas protagonistas diretas desta história, Conchita Liaño e Sara Berenguer. Ambas tinham parte ativa e na linha de frente nos dias de 36. Ambas com uma bagagem política e humana considerável.

Além disso, consultamos escritoras e historiadoras como Laura Vicente, que nos colocou na história. Também falamos com Martha Ackersberg, professora do Smith College, em Massachusetts e autora do livro “Mujeres Libres de España”, que nos traz mais perto da situação política no início dos anos 30 e da riqueza humana de Mulheres Livres. Estivemos com um dos grupos que mantêm o legado daquelas mulheres: Dones Lliures D’Alacant, um grupo de mulheres da CGT que se denominam anarcofeminista. Contamos também com a presença poética e comprometida com o feminismo atual da escritora Llum Qiñonero.

Para tornar mais compreensível a mensagem de nossas protagonistas, recriamos cenas com atrizes, chegando a reproduzir um comício em um teatro. Também trazemos, de onde quer que esteja, o espírito de Lucia Sanchez Saornil, que nos ajuda a contar a história.

Mais infos:

zerikusia@hotmail.es

Trailer do documentário:



agência de notícias anarquistas-ana





No entardecer

O azul celeste

Manchado é pelo arranha-céu

Dalva Sanae Baba

5 de mar de 2012

Mandacaru



Inspirada na insalubridade
senhora das suas flores
como mandacaru
mesmo quando o mato as cobre no sertão
na perspectiva doce daquela canção
que por bem, me levam ao fim da tarde. Km

[fragmentos] O pensamento sobre uma revolução educacional

É preciso que eu lembre que os padres de todas as igrejas, longe de se sacrificarem pelos rebanhos confiados aos seus cuidados, sempre os sacrificam, exploram e mantiveram em estado de rebanho, em parte para satisfazer suas próprias paixões pessoais, em parte para servir à onipotência da Igreja? As mesmas condições, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos. Isso acontece com os professores [...], divinamente inspirados e nomeados pelo Estado. Eles se tornarão, necessariamente, uns sem o saber, os outros com pleno conhecimento de causa, os mestres da doutrina do sacrifício popular para o poderio do Estado, em seu proveito das classes privilegiadas. (BAKUNIN, 2001, p.45).

Será preciso então eliminar da sociedade todo o ensino e abolir todas as escolas? Longe disso. É necessário distribuir a instrução no seio das massas e transformar todas as Igrejas, todos estes templos dedicados à gloria de Deus e à escravização dos homens, em escolas de emancipação humana. Km

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás