O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

28 de abr de 2012

Construa-se construindo o mundo



Nossa cultura hoje exige uma mobilidade de atenção e ao mesmo tempo diagnóstica como patológico a hiperatividade. É tal contradição que nos faz, ou deveria fazer, refletir sobre “o que é” e “o que não é” importante para a vida, a cultura, a sociedade e a educação. Em todos os aspectos da nossa existência há uma variedade bastante complexa de ser, estar no mundo e com o mundo, essa cultura de globalizar, de educar para homogeneizar nos limita a escolhas que poderiam ser diferentes se esta educação não fosse dualista, separando os saberes em intelectual e manual e os seres entre a elite e o povo, conseqüentemente fragmentando o humano e distorcendo valores.

É importante considerar que a realidade educacional encontrada em nossos dias é decorrente de anos de historia de opressão. Por isso questões como: que tipo de cidadão a escola forma? Quais os objetivos desta educação? São relevantes quando se percebe que o ensino regular é uma de tantas outras formas de aquisição de conhecimento. Pensar nela como única forma possível é estagnar, é desacreditar da força criadora do ser humano, é menosprezar nosso desenvolvimento, nossa capacidade de aprender para reconstruir-nos constantemente, de acordo com as necessidades de uma vida digna e solidaria. 

É através do desejo de emancipação a justiça e a igualdade de direitos e deveres, que a escola não deve se distanciar do mundo, segundo os estudos de Codello sobre o pensamento de Proudhon, 

ele afirma que é justamente o aprendizado a verdadeira instrução pública que deve fundamentar-se sobre conhecimentos amplos e variados, nos diversos âmbitos das ciências, das artes, das literaturas, de todas as atividades sociais e econômicas [...] em suma, Proudhon exprimi-se a favor de uma educação politécnica de modo a permitir aos estudantes, a experiência, mas sem especializar-se em nenhuma delas. (PROUDHON)

            O objetivo que se desenvolve na educação proposta por Proudhon é preparar o individuo para o uso livre e integral de todas as suas faculdades, todas as competências da natureza humana devem ser tratadas com a mesma intenção, não podemos considerar a educação sob um único aspecto. O conhecimento científico e literário, educação moral, formação de consciências livres e educação técnica caminham juntas. Assim busca-se uma construção da liberdade individual e da ruptura da alienação política, que se fundamenta na divisão capitalista do trabalho.

Karina Meireles

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás