O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

27 de mai de 2012

Senso

 
A realidade humana é cheia de contradições: a própria vida está cheinha de morte, e seus poros transpiram dores:

"A hora do encontro é também despedida
chegar e partir são dois lados da mesma viagem
o trem que chega é o mesmo trem da partida
a plataforma desta estação e' a vida. "
Milton Nascimento

Existir entre
mundos, deuses, pessoas e conceitos
Cada um de nós pode entender o que é bom e mal...

Lança-se o grito
Viver é diferente de entender!
Não vos preocupeis em separar
o Ser do Objeto
o EU que pensa e o mundo exterior ao pensamento
A existência de certo nos mostra como é escorregadia

De agora em diante vamos falar do Ser assim: angustiado e louco.
Doudos!
Nele encontraremos muito do conhecimento de cada um de nós,
do nosso tempo e do nosso mundo.
km




24 de mai de 2012

22 de mai de 2012

haikai(ando)


Flores penduradas
no varal
natureza avessa
km

17 de mai de 2012

Documentário sobre os Neonazistas na Paulista




AVISO: As duas garotas que aparecem no vídeo (19:57, quase no fim) NÂO tem qualquer relação com movimentos e grupos neonazistas. Ambas apenas foram clicadas próximo a elementos supostamente neonazistas, mas não tem qualquer relação com grupos de ódio ou semelhantes.
O autor do vídeo (anônimo) erroneamente incluiu suas imagens no vídeo.

10 de mai de 2012

Poezine PARANOIA #2(coletivo) Para Download

PARANOIA Poezine Coletivo | Aperiódico | Copyleft | Maio – 2012 - @Karina_Meireles, @LuxAlt e Xey Letix

6 de mai de 2012

A educação integral e a coedução


Fotografia: Denis Olivier


Karina Meireles
A defesa da Educação Integral esteve presente nas propostas do movimento operário de inspiração anarquista, principalmente no final do século XIX e início do século XX. O movimento operário buscava, por meio da educação, transformar a consciência dos trabalhadores e de seus filhos para realizar a revolução sócio-cultural. Os trabalhadores que seguiam a concepção anarquista lutaram por uma educação que unisse trabalho manual e intelectual, de modo a formar o homem e a mulher em seus diferentes aspectos: intelectual, moral, político e artístico.
Para Bakunin somente uma educação plena, ou seja, integral poderia possibilitar a construção de um novo tipo de sociedade. Considerava necessário diminuir o abismo entre a educação fornecida ao operariado e aquela desfrutada pelos privilegiados. A educação integral deveria possibilitar o acesso ao conhecimento científico porque
Até agora os burgueses caminharam mais depressa no caminho da civilização do que os proletariados, não porque sua inteligência fosse maior do que destes últimos – hoje se poderia dizer com razão ao contrário – mas porque a organização econômica e política da sociedade foi tal que a ciência não existiu senão para eles e que o proletariado se viu condenado a uma ignorância forçada (BAKUNIN, 1989, p.38)
             É justamente o conhecimento cientifico que segundo a pedagogia libertaria ajudara não apenas os trabalhadores, mas as mulheres em sua trajetória social. Paul Robin defendeu a implantação de uma educação integral para construir um novo tipo de sociedade e possibilitar à formação plena do homem e da mulher, dando-lhe acesso a totalidade dos conhecimentos humanos. Segundo ele, os homens e mulheres constroem sua visão de mundo a partir do que aprenderam e aprendem.  Considerou que a educação que vigorava na sociedade desigual era imoral e anti-racional, na verdade era uma anti-educação.

Outro aspecto interessante desta proposta de educação integral é a co-educação dos sexos, Ferrer y Guardia concebeu também a co-educação das classes sociais. Acreditava que uma escola somente para meninos pobres não é uma escola racional, porque nessa escola corre-se o risco de cultivar o ódio. Porque se não lhes ensinasse a submissão e a credulidade, deveríamos lhes ensinar a rebeldia, o que acirraria o ódio. Esse é um dilema, porque não há um meio termo para uma escola de deserdados. Este é um tema delicado. A Declaração revolucionária diz: “os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos”, assim não pode haver diferenças sociais e de gênero, se elas existem, ou seja, uns dominam os outros, então é racional e natural a rebeldia. “Os explorados têm que ser rebeldes, porque têm que reclamar os seus direitos até atingir sua completa e perfeita participação no patrimônio universal” (GUARDIA, 1912, p.35).

A necessidade da co-educação de ambos os sexos foi justificada por Ferrer y Guardía a partir da situação da mulher na sociedade patriarcal. Segundo ele, embora durante a cerimônia do casamento se diga ao homem que a mulher é sua companheira, ela acaba por viver subjugada às ações do marido não podendo exercer ação benéfica para a sociedade. E, para que a mulher possa exercer tais ações, ela precisa ser educada, informada, tanto quanto os homens.

El trabajo humano, proponiéndose la felicidad de su especie, ha sido deficiente hasta ahora: debe de ser mixto en lo sucesivo; tiene que estar encomendado al hombre y a la mujer, cada cual desde su punto de vista. Es preciso tener en cuenta que la finalidad del hombre en la vida humana, en frente de la misión de la mujer, no es respecto de ésta, de condición inferior ni tampoco, superior, como pretenciosamente nos abrogamos. Se trata de cualidades distintas, y no cabe comparación en las cosas heterogéneas. (GAURDIA, s.p.)

Ferrer y Guardia buscava instaurar um novo tipo de ambiente escolar que trabalhasse com a diferença e a heterogeneidade. Podemos perceber que os intelectuais da pedagogia libertária buscavam instaurar uma nova mentalidade no processo educacional, incorporando as discussões epistemológicas do século XIX e travando a luta contra a desigualdade e pela emancipação do homem e da mulher. Defendiam uma educação que buscava a transformação das mentes humanas, para a modificação dos costumes decorrentes de décadas de imposições da sociedade dita patriarcal.

Compreender que a realidade pode ser questionada e transformada se faz necessário, pois, nos abre caminhos para as possibilidades propostas pela pedagogia libertaria. É também através do conhecimento sobre a sociedade que a nós é injusta, hipócrita e autoritária que surge como alternativa um ensino baseado no respeito das diferenças, desenvolvido através de princípios como a educação integral, a co- educação, autonomia e liberdade.

Tais contribuições devem ser reconhecidas para que o entendimento sobre sua metodologia seja o mais correto possível. Vemos, portanto, que apesar de ser rechaçada e combatida, a Pedagogia Libertária, vivenciada pelos anarquistas do início do século passado, estabelecesse, para um significativo grupo de pessoas, num instrumento de luta pela melhoria das condições de vida para homens e mulheres, portanto, digna de ocupar seu lugar na história da educação brasileira.



Referencias
A LANTERNA. A Escola Moderna em São Paulo. São Paulo, 26 de fevereiro de 1910.

BAKUNIN, Mikhail. A Educação Integral. In: MORIYÓN, Félix Garcia (org.). Educação Libertária. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.

FERRER Y GUARDIA, Francisco. La Escuela Moderna - póstuma explicación y alcance de la enseñanza racionalista. Barcelona: Ediciones Solidaridad, 1912.

FERRER y Guardía, Francisco. La Escuela Moderna. In: <www.antorcha.net/biblioteca_virtual/pedagogia/escuelamoderna/indice.html > Consultado em 05 de maio de 2010.

1 de mai de 2012

[Brasil] Grafitagem em muros do centro de São Paulo por Mumia Abu-Jamal


Como em todos os anos, o dia 24 de abril, aniversário de Mumia Abu-Jamal, foi data de diversas manifestações mundo afora em apoio e solidariedade a este companheiro afro-americano que está preso desde 1981 sob a falsa acusação de ter assassinado um policial branco. Este é o primeiro aniversário que Mumia passa na população geral, após sua recente saída do corredor da morte, e as mobilizações por sua libertação tem crescido, tratando-se sua liberdade como objetivo a ser alcançado em curto prazo.

Unindo-se às mobilizações globais de apoio a Mumia, em São Paulo aconteceu uma pequena grafitagem no domingo, 29 de abril, na região central da cidade. A atividade foi chamada por companheiro/as anarcopunks e libertário/as, que espalharam pelos muros stencils com a imagem de Mumia e frases de apoio e por sua libertação imediata.

Mais fotos e infos sobre o caso de Mumia e as manifestações mundo afora por sua liberdade estão em http://anarcopunk.org/mumialivre/.

Mumia livre já!
Rede Informal de Apoio e Solidariedade ao Preso Político Afro-Americano Mumia Abu-Jamal


agência de notícias anarquistas-ana




Cinco lobos correm
em noite de lua cheia.
— Uivos na floresta —
Tânia Souza

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás