O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

1 de mai de 2012

[Brasil] Grafitagem em muros do centro de São Paulo por Mumia Abu-Jamal


Como em todos os anos, o dia 24 de abril, aniversário de Mumia Abu-Jamal, foi data de diversas manifestações mundo afora em apoio e solidariedade a este companheiro afro-americano que está preso desde 1981 sob a falsa acusação de ter assassinado um policial branco. Este é o primeiro aniversário que Mumia passa na população geral, após sua recente saída do corredor da morte, e as mobilizações por sua libertação tem crescido, tratando-se sua liberdade como objetivo a ser alcançado em curto prazo.

Unindo-se às mobilizações globais de apoio a Mumia, em São Paulo aconteceu uma pequena grafitagem no domingo, 29 de abril, na região central da cidade. A atividade foi chamada por companheiro/as anarcopunks e libertário/as, que espalharam pelos muros stencils com a imagem de Mumia e frases de apoio e por sua libertação imediata.

Mais fotos e infos sobre o caso de Mumia e as manifestações mundo afora por sua liberdade estão em http://anarcopunk.org/mumialivre/.

Mumia livre já!
Rede Informal de Apoio e Solidariedade ao Preso Político Afro-Americano Mumia Abu-Jamal


agência de notícias anarquistas-ana




Cinco lobos correm
em noite de lua cheia.
— Uivos na floresta —
Tânia Souza

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás