O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

25 de jun de 2012

Passa


 Arte: Cecilia Murgel


Moça, santa, branca e na praça...
passa
nem se assusta com a chuva
La vai ela, alheia!

Enquanto há rimas nos teus dias
os meus se povoam de prosa
prosopopeias
metáforas
dando nó na língua
a poesia passa.

Alheia ao tempo
Chuvoso e abafado
olhares nublados
a natureza cinza...

Ocupa-se
em colher o som da cidade
e acha no espaço sua sombra
com seu olhar reflexo
a cidade reflete.
km

19 de jun de 2012

Roger Garaudy



 "A humanidade inteira, se continuar a viver, não será simplesmente porque nasceu, mas porque terá decidido prolongar sua vida. Não mais existe espécie humana. A comunidade que se fez guardiã da bomba atômica está acima do reino natural, porque é responsável por sua vida e por sua morte; a cada dia, a cada minuto, será preciso que consinta em viver. Eis o que experimentamos hoje, na angústia. Nosso mundo é uno. Mas é um mundo dilacerado. Este mundo é uno porque o desenvolvimento da técnica e da produção engendrou um mercado mundial, a economia de um mundo fechado no qual o destino de cada homem depende de fato Econômica, política, moralmente, do de todos os outros. 

Política, moralmente, a vida cotidiana de cada homem sofre a ressaca das mais longínquas: na Bolsa de Nova York, uma manifestação em Tóquio, um plano econômico em Moscou, uma revolta na África ou na Ásia. As crises tornaram-se mundiais, as guerras também. 

Mas esta interdependência universal não é uma solidariedade universal. Está feita de contradições e conflitos. A universalidade só se exprime concretamente porque, doravante, todas as lutas se desenvolvem em escala planetária: as lutas de classe, as lutas nacionais, as lutas ideológicas. 

Nenhum conflito tem caráter regional. Nenhuma responsabilidade tem caráter limitado. Nenhuma liberdade é solitária. De direito, estamos todos implicados na grande contestação do mundo. A história o quis assim. Estamos aí e não podemos fazer de outro modo. A responsabilidade é pessoal, ninguém pode furtar-se a ela." 

( Perspectivas do homem. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1968, p. 5)

14 de jun de 2012

Forte como um sonho


Foto: Maleonn Ma 

Por instantes imaginamos
o azul do céu
o estranho da lua
o vermelho do por do sol
Enquanto os dias se apresentarem
a nós,
consideremos todas as cores
que existe, existem, existirem!
Pois
Enquanto existir
seu sorriso de mel
seus olhos de Lua
e sua mente paladina...


Serás feliz
e
forte como a verdade!

km                                                                                                                                                 

 

7 de jun de 2012

[Reino Unido] Filme sobre Murray Bookchin


C o m u n i c a d o: 

Estamos [Spectacle Productions] atualmente trabalhando em um filme sobre o pensador político estadunidense Murray Bookchin (1921-2006). BOOKCHIN ON BOOKCHIN é um documentário longa-metragem independente sobre a vida e época de Murray Bookchin, que fez história como fundador do movimento da ecologia social e é um significativo teórico social da esquerda. 

Bookchin é um anticapitalista e advoga pela descentralização da sociedade por linhas ecológicas e democráticas. Ele também reivindica energias alternativas e escreveu profeticamente sobre pesticidas, câncer e obesidade.

Nosso objetivo é fazer um filme que explore profundamente as influências e experiências que ajudaram a moldar uma das mais extraordinárias e distintas vozes no pensamento político moderno.

O documentário irá explorar o desenvolvimento das políticas de Bookchin por meio de suas experiências pessoais, com horas e horas de filmagem. Tivemos um acesso sem paralelo à Bookchin, incluindo filmagem de entrevista exclusiva em sua casa em Vermont e sua aparição pública final em Montreal [Canadá].

Spectacle Productions é uma produtora independente de televisão especializada em documentário, jornalismo investigativo e comunitário e mídia participativa.

Para assistir ao trailer e saber mais, visite:

Tradução > Marina Knup


agência de notícias anarquistas-ana






Tempo destinado
a esfregar e descorar
nódoas do passado.
Flora Figueiredo

3 de jun de 2012

[Brasil] I Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo


Comunicado:

Com a iniciativa da Editora e Distro Anarcopunk Imprensa Marginal/Anarco-Filmes e da Do Morro Produções, dois grupos de São Paulo envolvidos com a produção audiovisual libertária na atualidade, surge a proposta da realização do I Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo. A proposta é que, em dezembro deste ano, a primeira edição do festival reúna a exibição de filmes e documentários recentes produzidos por anarquistas e punks ou com temática ligada a questões sociais libertárias diversas, bem como realização de debates, palestras, oficinas e exposições sobre a produção audiovisual libertária no mundo. A data e local ainda serão definidos.

Estamos abert@s a propostas de atividades, parcerias e intervenções, se você tiver uma ideia, basta nos escrever!

festival@anarcopunk.org | Caixa Postal 665 CEP 01032-970 São Paulo/SP – Brasil

Sobre o envio de filmes para o festival:

1) O envio de filmes (em DVD) poderá ser feito até o dia 01 de outubro (data máxima de postagem).
2) Caso você tenha interesse em participar, envie o formulário abaixo preenchido para o email festival@anarcopunk.org, para que possamos iniciar os contatos.
3) Serão aceitos filmes produzidos em todos os formatos de captação e de quaisquer gêneros (documentário, animação, ficção, etc.), desde que tenham como temática ou pano de fundo questões relativas ao anarquismo, lutas sociais libertárias/anti-autoritárias/apartidárias/autônomas/populares e expressões/movimentações punks e contra-culturais libertárias.
4) Daremos preferência aos filmes produzidos de forma independente e que tenham sido produzidos nos últimos anos.
FORMULÁRIO DE PARTICIPAÇÃO
(Preencha e envie para nosso email de contato)
* Nome d@ Proponente:
* Grupo/Coletivo/Projeto:
* Email de contato:
* Endereço para contato:
* Título do filme:
* Sinopse:
* Gênero (documentário, ficção, animação, etc):
* Ano de produção:
* Realizador@s do filme:
* Formato de captação:
* Duração (com os créditos):
* Idioma original:
Caso o idioma original não seja o português:
* Possui legendas?
* Em quais idiomas?
* Há possibilidade de tradução ou legendagem para o português ou envio da lista de diálogos?
* O filme foi produzido:
(  ) de forma independente
(  ) com auxílio de edital ou apoio institucional
(  ) outros:

agência de notícias anarquistas-ana



Tudo o que restou
Dos sonhos dos guerreiros
Capim de verão.
Matsuo Bashô

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás