O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

19 de jun de 2012

Roger Garaudy



 "A humanidade inteira, se continuar a viver, não será simplesmente porque nasceu, mas porque terá decidido prolongar sua vida. Não mais existe espécie humana. A comunidade que se fez guardiã da bomba atômica está acima do reino natural, porque é responsável por sua vida e por sua morte; a cada dia, a cada minuto, será preciso que consinta em viver. Eis o que experimentamos hoje, na angústia. Nosso mundo é uno. Mas é um mundo dilacerado. Este mundo é uno porque o desenvolvimento da técnica e da produção engendrou um mercado mundial, a economia de um mundo fechado no qual o destino de cada homem depende de fato Econômica, política, moralmente, do de todos os outros. 

Política, moralmente, a vida cotidiana de cada homem sofre a ressaca das mais longínquas: na Bolsa de Nova York, uma manifestação em Tóquio, um plano econômico em Moscou, uma revolta na África ou na Ásia. As crises tornaram-se mundiais, as guerras também. 

Mas esta interdependência universal não é uma solidariedade universal. Está feita de contradições e conflitos. A universalidade só se exprime concretamente porque, doravante, todas as lutas se desenvolvem em escala planetária: as lutas de classe, as lutas nacionais, as lutas ideológicas. 

Nenhum conflito tem caráter regional. Nenhuma responsabilidade tem caráter limitado. Nenhuma liberdade é solitária. De direito, estamos todos implicados na grande contestação do mundo. A história o quis assim. Estamos aí e não podemos fazer de outro modo. A responsabilidade é pessoal, ninguém pode furtar-se a ela." 

( Perspectivas do homem. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1968, p. 5)

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás