O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

5 de set de 2012

Sartre


O homem define-se com base no seu projeto. Este ser material supera continuamente a condição que se encontra já feita, revela e determina sua própria situação, transcendendo-a para se objetar através do trabalho, da ação ou do gesto.. Esta relação imediata para além dos elementos dados e constituídos, com outro que não nós mesmos, esta perene produção de nós mesmos através do trabalho e da práxis é a nossa estrutura própria: nada mais do que uma vontade, não é uma necessidade ou uma paixão, mas as nossas necessidades tais como nossas paixões, ou tal como o mais abstrato dos nossos pensamentos, participam da mesma estrutura: encontram-se sempre fora de si em direção a ... É a isto que nós chamamos existência e que entendemos, de fato, não como uma substância estável que repouse sobre si mesma, mas como um permanente desequilibro uma auto-erradicação de todo o corpo. Como esta tendência para a objetivação assume formas diversas conforme os indivíduos, e como nos projeta através de um campo de possibilidades, das quais realizamos umas mais do que as outras, designamo-la por escolha ou liberdade. 
(Os pensadores. São Paulo, Abril, 1973, fascículo 68, p. 887)

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás