O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

27 de nov de 2012

Gosto



Reconhecer
o ter o não ter
na vida a inter(ação)
das coisas do mundo
nos seres
O absurdo
do ente entre coisas
da noite ou do dia
                                               Ser feito feio
ser feito bonito...
No cheiro da alcova a o perfume do mundo
No absurdo das coisas a o absoluto do universo
Entre o vacuo
Bem vindos!
km

                                              

24 de nov de 2012

SOBRE HERÓIS E TUMBAS



Ernesto Sábato
Há certo tipo de ficção mediante a qual o autor tenta se livrar de uma obsessão que não é clara nem para ele mesmo. Para bem e para mal, é a única que posso escrever.
Mais ainda, são as incompreensíveis histórias que me vi forçado a escrever desde quando era um adolescente. Felizmente fui moderado em sua publicação, e em 1948 decidi publicar uma delas: O túnel. Nos treze anos que transcorreram em seguida, continuei explorando esse obscuro labirinto que conduz ao segredo central de nossa vida. Uma e outra vez procurei expressar o resultado de minhas buscas, até que desalentado pelos pobres resultados terminava destruindo os manuscritos. Agora, alguns amigos que os leram me induziram a sua publicação. A todos eles quero expressar aqui meu reconhecimento por essa fé e essa confiança que, por desgraça, eu nunca tive.
Dedico este romance à mulher que tenazmente me deu alento nos momentos de descrença, que são em maior número. Sem ela, nunca teria tido forças para levá-lo a cabo.
E, embora tivesse merecido algo melhor, assim mesmo, com todas as suas imperfeições, a ela pertence.

Link para baixar o livro
http://www.4shared.com/zip/7vcY0yVG/Sbato_Ernesto_-_Sobre_Heris_e_.html


18 de nov de 2012

Observando

obsesrvando by Karina Meireles
obsesrvando, a photo by Karina Meireles on Flickr.

17 de nov de 2012

A transição entre o século XIX e o século XX se dá em torno da consolidação do capitalismo como também da desigualdade social

Fotografia: kinga krzslo nogi


A construção social das gerações se concretiza através do estabelecimento de valores morais e expectativas de conduta para cada uma delas, em diferentes etapas da história. Novas relações, por sua vez, determinam novos comportamentos das gerações, num movimento dialético e de retroalimentação permanente. É através dos séculos que nossa sociedade modela-se, por exemplo, as idéias do cristianismo ditavam a moral e os bons costumes de uma sociedade patriarcal, onde a mulher era considerada um adjetivo do homem. O que prejudicou a liberdade das mulheres ao conhecimento científico, ao trabalho enfim a educação.
As coisas se passam como se sempre tivesse sido assim: meninos de um lado e meninas do outro. Meu sincero desejo é que as relações entre essas naturezas se aprofundem e se aperfeiçoe, esta reflexão se apoia na certeza do compartilhamento das experiências, na igualdade e liberdade.
. km.

12 de nov de 2012

Por todos




Arte:Magritte 

... Os interesses individuais devem responder ao interesse do conjunto. Daí que ser responsável é ter de responder ao conjunto da sociedade pelas próprias ações.

Essa responsabilidade não advém do fato de termos de responder a um Deus pelos nossos atos, mas de termos de responder perante a valores que nós mesmos construímos. E responder a todos os homens:
Se o homem não é, mas se faz, e se, em se fazendo, assume a responsabilidade por toda a espécie humana, se não há valor ou moral dados a priori, mas se, em cada caso, precisamos resolver sozinhos, sem ponto de apoio e, no entanto, para todos, como haveríamos de não sentir ansiedade quando temos de agir? (Sartre, J. P. O existencialismo é um humanismo. Lisboa, Presença, s/d, p. 221)

Tal responsabilidade está apoiada na própria escolha que o homem faz, não do seu ser, mas da sua maneira de ser. A atitude que cada um assume em face daquilo que ele é contribui para a própria transformação.

Essa idéia é tão poderosa que Sartre afirma que nós temos condições até de interferir em nosso passado. Os dias que já vivi não são imutáveis, nem fixos. Posso fazer, através de minha atitude, com que o passado mude de significado. Passado feliz ou triste, saudoso ou melancólico, é meu "projeto" futuro que vai determinar se foi bem ou mal sucedido.

"Tudo é bom quando acaba bem", ensina o povo.
O significado de cada ato meu é dado por uma decisão consciente e livre, toda minha.

7 de nov de 2012

Pedagogia libertária - PARTE II



Considerando o desenvolvimento pleno da criança, Paul Robin (1837-1912) define a educação integral baseado no principio de igualdade que cada um de nós tem ao desenvolvimento pleno de todas as nossas faculdades físicas e mentais.

La idea moderna nació del sentimento profundo de igualdad y del derecho que tiene cada hombre, cualesquiera que sean las circunstancias en que el azar lo haya hecho nacer, a desarrollar, de la forma más completa posible, todas sus facultades físicas e intelectuales. Estas últimas palabras definen la Educación Integral (ROBIN, 1986, p.111)

Em nome da justiça na igualdade de direitos e deveres é que se deseja uma educação completa e integral, pois a justiça não pode consagrar a desigualdade. Na educação integral os estudantes formam seus juízos de acordo com o que vão aprendendo através da diversidade de conhecimentos, proporcionando experiências de aprendizagens infinitas para sua formação, seja através do contato direto com os fenômenos naturais, ou, através das relações sociais.

Si la educación de cada hombre tuviera por base no una porción restringida de los conocimientos humanos, sino su totalidad, veríamos desaparecer las funestas divergencias sobre los grandes problemas de principio, que retrasan de forma tan considerable el progresso de la humanidad. (ROBIN, 1986, p.113)

            É compreendendo a importância dos valores humanos, como também da compreensão dos mesmos pelos educandos, que a educação integral respeita o desenvolvimento cognitivo de cada um, fundamenta-se em duas divisões, não absolutas, a primeira corresponderia aos nossos anos iniciais do ensino fundamental e a segunda, aos anos finais, 

El niño deja muy pronto de ser sólo consumidor, pero puede y, como consecuencia, deve hacer-se productor; a parir de este momento la educación se aplica también al órgano de la coletividad. Esta parte de la educación aumenta sin césar su importancia hasta la idad en que el hombre adulto debe, por su trabajo, bastarse totalmente a si mismo y a las cargas que lê imponen la siciedad o la família (ROBIN, 1986, p. 115).

            Podemos resumir esta metodologia em duas palavras: “el saber, el hacer” (ROBIN, 1986, p.115) evidenciando a importância do trabalho coletivo estimando a participação  de cada um na transformação do coletivo e individual. Segundo Robin a curiosidade da criança é incessante seu poder de assimilação, extremo, “de acuerdo com esta observación, queremos seguir la naturaleza, acudir en su ayuda y no oponernos a ella” (1986, p. 115), reconhecemos que,
 
la necessidad de hacer la vida común agradable y sin duda tambien cierta bondad natural, a pesar de lo que se diga, en los niños, provocarán cuanto antes el intercambio mutuo de los servicios, darán uma primeira idea práctica del deber; así se constituirá la base práctica de la moral (ROBIN, 1986, p. 116)
            Esta educação dada através das ciências e das artes, não fazendo distinção de sexos, os meninos e as meninas têm a mesma ocupação, a criança faz suas descobertas, “el arte del educador consistirá, una vez ben compriendidos los principios, en interpretar com tacto la aplicación seguiendo las diversas circunstancias” (ROBIN, 1986, p.117). Tendo consciência que o verdadeiro ideal educativo objetivado por Robin é desenvolver o ser humano como um todo, respeitando as necessidades de cada fase do desenvolvimento humano, sua proposta evidencia um trabalho constante, fazendo com que o educador reflita sobre sua prática e o alcance dos seus objetivos de desenvolver a aprendizagem dos educandos, seja através de trabalhos manuais ou não. Chegou a hora de cada educador perante sua tarefa ousar decisões e riscos. Temos que despertar e viver, no exercício de uma autonomia que todo o passado nos obstaculizou.

 km


REFERÊNCIAS
BAKUNIN, Mikhail Alexandrovich. Deus e o Estado. São Paulo: Imaginário, 2000.
BAKUNIN, Mikhail Alexandrovich. et al. Escritos anarquistas sobre educacíon. Madrid: Zero, 1986.
CODELLO, Francesco. A boa educação: experiências libertárias e teorias anarquistas na Europa, de Godwin a Neill. São Paulo: Imaginário, 2007.
GALLO, Silvio. Anarquismo e a filosofia da educação. Disponível em: < http://www.cedap.assis.unesp.br/cantolibertario/textos/0113.html> acesso em: 09 nov. 2010.
MELLA, Ricardo. et al. Escritos anarquistas sobre educacíon. Madrid: Zero, 1986.
MELLA, Ricardo. Cuestiones de enseñanza libertaria. Madrid: Zero, 1979.
ROBIN, Pual. et al. Escritos anarquistas sobre educacíon. Madrid: Zero, 1986.
SAFÓN, Ramón. O racionalismo combatente: Francisco Ferrer y Guardia. São Paulo: Imaginário, 2003.

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás