O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

Cquote2.svg
Carlos Drummond de Andrad

7 de nov de 2012

Pedagogia libertária - PARTE II



Considerando o desenvolvimento pleno da criança, Paul Robin (1837-1912) define a educação integral baseado no principio de igualdade que cada um de nós tem ao desenvolvimento pleno de todas as nossas faculdades físicas e mentais.

La idea moderna nació del sentimento profundo de igualdad y del derecho que tiene cada hombre, cualesquiera que sean las circunstancias en que el azar lo haya hecho nacer, a desarrollar, de la forma más completa posible, todas sus facultades físicas e intelectuales. Estas últimas palabras definen la Educación Integral (ROBIN, 1986, p.111)

Em nome da justiça na igualdade de direitos e deveres é que se deseja uma educação completa e integral, pois a justiça não pode consagrar a desigualdade. Na educação integral os estudantes formam seus juízos de acordo com o que vão aprendendo através da diversidade de conhecimentos, proporcionando experiências de aprendizagens infinitas para sua formação, seja através do contato direto com os fenômenos naturais, ou, através das relações sociais.

Si la educación de cada hombre tuviera por base no una porción restringida de los conocimientos humanos, sino su totalidad, veríamos desaparecer las funestas divergencias sobre los grandes problemas de principio, que retrasan de forma tan considerable el progresso de la humanidad. (ROBIN, 1986, p.113)

            É compreendendo a importância dos valores humanos, como também da compreensão dos mesmos pelos educandos, que a educação integral respeita o desenvolvimento cognitivo de cada um, fundamenta-se em duas divisões, não absolutas, a primeira corresponderia aos nossos anos iniciais do ensino fundamental e a segunda, aos anos finais, 

El niño deja muy pronto de ser sólo consumidor, pero puede y, como consecuencia, deve hacer-se productor; a parir de este momento la educación se aplica también al órgano de la coletividad. Esta parte de la educación aumenta sin césar su importancia hasta la idad en que el hombre adulto debe, por su trabajo, bastarse totalmente a si mismo y a las cargas que lê imponen la siciedad o la família (ROBIN, 1986, p. 115).

            Podemos resumir esta metodologia em duas palavras: “el saber, el hacer” (ROBIN, 1986, p.115) evidenciando a importância do trabalho coletivo estimando a participação  de cada um na transformação do coletivo e individual. Segundo Robin a curiosidade da criança é incessante seu poder de assimilação, extremo, “de acuerdo com esta observación, queremos seguir la naturaleza, acudir en su ayuda y no oponernos a ella” (1986, p. 115), reconhecemos que,
 
la necessidad de hacer la vida común agradable y sin duda tambien cierta bondad natural, a pesar de lo que se diga, en los niños, provocarán cuanto antes el intercambio mutuo de los servicios, darán uma primeira idea práctica del deber; así se constituirá la base práctica de la moral (ROBIN, 1986, p. 116)
            Esta educação dada através das ciências e das artes, não fazendo distinção de sexos, os meninos e as meninas têm a mesma ocupação, a criança faz suas descobertas, “el arte del educador consistirá, una vez ben compriendidos los principios, en interpretar com tacto la aplicación seguiendo las diversas circunstancias” (ROBIN, 1986, p.117). Tendo consciência que o verdadeiro ideal educativo objetivado por Robin é desenvolver o ser humano como um todo, respeitando as necessidades de cada fase do desenvolvimento humano, sua proposta evidencia um trabalho constante, fazendo com que o educador reflita sobre sua prática e o alcance dos seus objetivos de desenvolver a aprendizagem dos educandos, seja através de trabalhos manuais ou não. Chegou a hora de cada educador perante sua tarefa ousar decisões e riscos. Temos que despertar e viver, no exercício de uma autonomia que todo o passado nos obstaculizou.

 km


REFERÊNCIAS
BAKUNIN, Mikhail Alexandrovich. Deus e o Estado. São Paulo: Imaginário, 2000.
BAKUNIN, Mikhail Alexandrovich. et al. Escritos anarquistas sobre educacíon. Madrid: Zero, 1986.
CODELLO, Francesco. A boa educação: experiências libertárias e teorias anarquistas na Europa, de Godwin a Neill. São Paulo: Imaginário, 2007.
GALLO, Silvio. Anarquismo e a filosofia da educação. Disponível em: < http://www.cedap.assis.unesp.br/cantolibertario/textos/0113.html> acesso em: 09 nov. 2010.
MELLA, Ricardo. et al. Escritos anarquistas sobre educacíon. Madrid: Zero, 1986.
MELLA, Ricardo. Cuestiones de enseñanza libertaria. Madrid: Zero, 1979.
ROBIN, Pual. et al. Escritos anarquistas sobre educacíon. Madrid: Zero, 1986.
SAFÓN, Ramón. O racionalismo combatente: Francisco Ferrer y Guardia. São Paulo: Imaginário, 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás