O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

12 de nov de 2012

Por todos




Arte:Magritte 

... Os interesses individuais devem responder ao interesse do conjunto. Daí que ser responsável é ter de responder ao conjunto da sociedade pelas próprias ações.

Essa responsabilidade não advém do fato de termos de responder a um Deus pelos nossos atos, mas de termos de responder perante a valores que nós mesmos construímos. E responder a todos os homens:
Se o homem não é, mas se faz, e se, em se fazendo, assume a responsabilidade por toda a espécie humana, se não há valor ou moral dados a priori, mas se, em cada caso, precisamos resolver sozinhos, sem ponto de apoio e, no entanto, para todos, como haveríamos de não sentir ansiedade quando temos de agir? (Sartre, J. P. O existencialismo é um humanismo. Lisboa, Presença, s/d, p. 221)

Tal responsabilidade está apoiada na própria escolha que o homem faz, não do seu ser, mas da sua maneira de ser. A atitude que cada um assume em face daquilo que ele é contribui para a própria transformação.

Essa idéia é tão poderosa que Sartre afirma que nós temos condições até de interferir em nosso passado. Os dias que já vivi não são imutáveis, nem fixos. Posso fazer, através de minha atitude, com que o passado mude de significado. Passado feliz ou triste, saudoso ou melancólico, é meu "projeto" futuro que vai determinar se foi bem ou mal sucedido.

"Tudo é bom quando acaba bem", ensina o povo.
O significado de cada ato meu é dado por uma decisão consciente e livre, toda minha.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás