O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

Cquote2.svg
Carlos Drummond de Andrad

24 de nov de 2012

SOBRE HERÓIS E TUMBAS



Ernesto Sábato
Há certo tipo de ficção mediante a qual o autor tenta se livrar de uma obsessão que não é clara nem para ele mesmo. Para bem e para mal, é a única que posso escrever.
Mais ainda, são as incompreensíveis histórias que me vi forçado a escrever desde quando era um adolescente. Felizmente fui moderado em sua publicação, e em 1948 decidi publicar uma delas: O túnel. Nos treze anos que transcorreram em seguida, continuei explorando esse obscuro labirinto que conduz ao segredo central de nossa vida. Uma e outra vez procurei expressar o resultado de minhas buscas, até que desalentado pelos pobres resultados terminava destruindo os manuscritos. Agora, alguns amigos que os leram me induziram a sua publicação. A todos eles quero expressar aqui meu reconhecimento por essa fé e essa confiança que, por desgraça, eu nunca tive.
Dedico este romance à mulher que tenazmente me deu alento nos momentos de descrença, que são em maior número. Sem ela, nunca teria tido forças para levá-lo a cabo.
E, embora tivesse merecido algo melhor, assim mesmo, com todas as suas imperfeições, a ela pertence.

Link para baixar o livro
http://www.4shared.com/zip/7vcY0yVG/Sbato_Ernesto_-_Sobre_Heris_e_.html


Nenhum comentário:

Postar um comentário

dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás