O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

29 de dez de 2012

[IN]flexível.


Procurando um caminho fácil, me esqueci da primeira lição: nada é fácil nessa vida!
Até de rosas falei, esquecendo os espinhos da danada...

Sendo contra toda boa vontade como forma de uniformização e sadismo de autoridade, penso sobre a vida e a educação que nela se encorpa e transforma vida em escárnio, isso nos leva a ilusão de liberdade, está alienada ao homem democraticamente e assim negamos nossa realidade.
Há negação!
De transforma-se, ser ativo, reativo... Assumir-se no mundo, individual e coletivo. A dualidade existe como um sarcasmo natural a soberba humana cheia de barreiras simbólicas, fronteiras verbais que nos impedem compreensão.
“Mundo cão, mundo lindo”

Chego ao pensamento que minha humanidade é totalmente incompatível com a vida,  vida modelada, escasseada, cheia de bits, pixels a porra toda, no momento meu coração tem o ritmo de um liquidificador, de certo natural isso não é...
Reúno minhas lamurias, desfilo minhas tristezas, sou triste por natureza
finjo alegria por destreza...
Não acredito em beleza nem muito menos feiúra.. meus padrões estéticos são outros incompreensíveis aos que não tem sentimento, ou melhor, aos que não sentem por prazer e sim por medo do ajuste, este desajuste me enche de tal maneira que nunca chegarei segura aquele porto, mais eu sei que Maria não viu a rosa, o que Maria viu foi outra coisa, e isso é o que importa!
Que os maltidos vislumbrados do passado me encham alma no presente,
que o futuro se faça em meu presente nefasto!

Quando não se vive
O sentimento
ele se torna um processo poético
Quantos amores
impossíveis?

Quantas dores mal feitas
ou bem feitas até demais!

o que
,a minha mente que floresce,
vai fazer com meu coração que sofre?

Eis a questão...
.km.

Poesia feita para o blog http://rarefeitosimbitubianos.blogspot.com.br/2011/04/karina-meireles-humberto-fonseca.html?spref=bl a tempos atras.. como diria Humberto Fonseca "Prosa doida articulada sob os cabos óticos"

26 de dez de 2012

loucura pra ser lida II




Arte: Nom Kinnear King


Do mesmo modo que o vento leva palavras

Perde-se o pensamento



Como uma mesa farta se vai com a fome

O pensamento se perde por falta de vontade

Assim é - coisas tão reais como os talheres de prata da mesa

Como um sonho pensamos, existimos, falamos

E perdemos a fala...



A luz do sol estridente

Com seu calor ardente

Entoa uma canção de silêncio

Invade os cômodos

E claramente fora do rigor sonhamos



Dizemos adeus

As crises da moral estabelecida

Ao mofo dos cantos da casa

E a todo trato social



Seguimos...



Não vamos perder toda a conversa dita a mesa

As muitas e pequenas coisas acontecidas

As loucuras de uma mente brilhante

...

O poeta adormecido diz

Procure-se

Para amar a poetiza


.km.

19 de dez de 2012

Daí que ninguém é livre sozinho...



Se sou estudante numa certa escola, sou eu que escolho como serei estudante nela. Poderá ser algo intolerável, humilhante, carregado de responsabilidade, objeto de orgulho ou justificativa para meus fracassos. Digo-me então: "Minha vida é infeliz, ou realizada, por causa de meus pais, ou dos professores bons que não tive, ou pela frieza de meus amigos, pelo amor que me envolveu...".

Frequentemente esqueço que eu mesmo escolhi livremente construir os amores, esquecer-me dos amigos ou curtir meus pais. Mas o mais saboroso, e quase fantástico, desta aventura humana é que cada um vai fazendo sua libertação ao longo deste caminhar. E não só a sua vida, mas de toda a humanidade, pois, com sua vida, está construindo sua essência humana:

Queremos a liberdade pela liberdade através de cada circunstância em particular E, ao querermos a liberdade, descobrimos que ela depende inteiramente da liberdade dos outros e que a liberdade dos outros depende da nossa (..) (Sartre, J. P. O existencialismo é um humanismo. Lisboa, Presença, s/d, p. 260)

O homem é um ser que não pode querer senão a sua liberdade e que reconhece também que não pode querer senão a liberdade dos outros.
Daí que ninguém é livre sozinho...

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás