O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

26 de dez de 2012

loucura pra ser lida II




Arte: Nom Kinnear King


Do mesmo modo que o vento leva palavras

Perde-se o pensamento



Como uma mesa farta se vai com a fome

O pensamento se perde por falta de vontade

Assim é - coisas tão reais como os talheres de prata da mesa

Como um sonho pensamos, existimos, falamos

E perdemos a fala...



A luz do sol estridente

Com seu calor ardente

Entoa uma canção de silêncio

Invade os cômodos

E claramente fora do rigor sonhamos



Dizemos adeus

As crises da moral estabelecida

Ao mofo dos cantos da casa

E a todo trato social



Seguimos...



Não vamos perder toda a conversa dita a mesa

As muitas e pequenas coisas acontecidas

As loucuras de uma mente brilhante

...

O poeta adormecido diz

Procure-se

Para amar a poetiza


.km.

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás