O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

14 de dez de 2013

Um dia daqueles



                                                               Foto: Kirill Arsenjev

Um dia daqueles

Belo, mas triste...



Quando estou triste como hoje,

Gosto de gritar, chorar, escrever

Descarregar as lamúrias
em um poema carregado de sutilezas

da minha tristeza.



Uns dizem que seria mais fácil pra mim

Acreditar em Deus, nessas horas “orar é bom”

Respeito a fulga dos crentes ao seu Deus
porque ninguém respeita minha descrença
e minha forma de encarar minhas tristezas

A vida não é nada romântica, passei da fase de romantiza-la,

Triste fim...



Porém me resolvo escrevendo, poemizando meus nós

É entre loucura, angustia e duvida

Que minha sanidade aparece

Me puxa

E diz

Viva...



O que seria triste é aceitar-se assim

Cega

Muda

Surda



Enquanto a natureza me permitir

Verei

Gritarei

Escutarei



E o que digo pra vida

Além de pessoas boas e ruins

Existe o belo da grandeza do mundo

Até o espanto da sua degradação

É uma lição para vidas

Medíocre ou não.



Viremos a pagina



Sejamos humanos (entendendo o conceito da palavra)

Seja mais você

Seja mais os seus

Se for só

Então vá só

Sigamos em frente!



km

7 de dez de 2013

26 de nov de 2013

24 de nov de 2013

Café expresso

Arte: Gianluca Biscalchin


Em tempos de café expresso
A correria é grande
e
quando a vontade é maior...
fica fácil, parar no tempo.

Com o tempo parado na viagem dos seus sonhos
  um estalar de dedos,
voltamos à realidade.


Logo, a criatividade anunciada pela vontade de sonhar
nos da corda
aquela corda toda
cheia de força, sem atrito, flui.


Se expressa...

E acaba o café!

A verdade de querer saber
do sabido o que pensa, é assim
um gole de ansiedade
e um grande suspiro

Km.


13 de nov de 2013

Haikaiando


Dormindo
o zumbido,
chato mosquito.

km

Descarrego




Não suportando
a falta de trato
Quanto mais
ao amor,
                aconchego,
                                      futuro...
O que consideras?
Ignorância é um estado
escolhas pra uns
falta dela pra outros
Se invalidam
km


4 de nov de 2013

Ironias da vida

Banco Central da Ucrânia emitiu uma moeda dedicada ao anarquista Nestor Makhno

O Banco Central ucraniano lançou no dia 25 de outubro moeda comemorativa em homenagem ao anarquista Nestor Makno (26 de outubro de 1888 — 6 de julho de 1934), na série “personalidades de destaque da Ucrânia”.

Cunhada em metal branco e com valor de face de 2 hryvnias (cerca de 6 reais), a moeda traz no anverso a logomarca do Estado da Ucrânia e legenda do Banco Central ucraniano, além de uma charrete puxada por cavalos. No reverso, destaca-se um retrato de Makhno e as palavras Terra, Esperança, Campesino, Força.

Inicialmente foram impressas 30 mil moedas. Artistas e escultores que participaram do projeto: Taran Vlodomir, Žaruk Oleksandr, Nataliya Fandikova, Volodimir Vem'yanenko e Anatoliy Dem'yanenko.

Mais detalhes no site do Banco Central da Ucrânia:




agência de notícias anarquistas-ana

Dentro da mata –
Até a queda da folha
Parece viva.

Paulo Franchetti

15 de out de 2013

Filme: A Política das Facas


[O projeto de pesquisa crisis-scape.net acaba de lançar o curta-metragem com legendas em inglês “The Politics of Knives” (A Política das Facas), que aborda a gangue neonazista Aurora Dourada.]

Apresentação:

O partido neonazista Aurora Dourada está ativo na Grécia desde meados dos anos 80. No decorrer dos anos atacou imigrantes, antifascistas e homossexuais, com a tolerância ou mesmo colaboração de uma parcela da força policial grega. Recentemente, o partido viu um crescimento inexplicavelmente imenso de seus fundos, uma ampla cobertura de suas atividades (seja real ou fictícia) pela grande mídia e a abertura de mais de cinquenta filiais locais por todos os bairros atenienses e cidades gregas.

O ostensivamente meteórico crescimento do Aurora Dourada no discurso político dominante vem em uma conjuntura extremamente crítica, em meio à crise financeira global que atingiu a Grécia mais fortemente por volta de 2008/09 em diante. Nas eleições nacionais de 2009, o partido recebeu meros 0,2 % dos votos; em 2012, sua cota disparou para aproximadamente 7%. Este sucesso eleitoral foi acompanhado pela introdução de políticas anti-imigração pela coligação governamental, operações policiais frequentes com alvo nas atividades antifascistas em Atenas e outras cidades gregas, e o crescimento de ataques racistas no país.

Em 18 de setembro, um membro confesso do Aurora Dourada, Giorgos Roupakias, esfaqueou até a morte o rapper antifascista Pavlos Fyssas (Killah P). Como consequência do assassinato, o líder do Aurora Dourada, Nikos Mihaloliakos, e outros membros e pessoas chave foram presas e acusadas. Apenas agora, após décadas de presença no cenário político grego, as conexões do Aurora Dourada com as forças de segurança e política institucional do país estão sendo expostos no discurso da política dominante e na mídia.

Ficha técnica:

Produzido por Ross Domoney, Klara Jaya Brekke e Dimitris Dalakoglou.

Filmagem e edição por Ross Domoney.

Roteiro por Klara Jaya Brekke.

Música por Giorgos Triantafillou.

Agradecimentos especiais a Lena Theodoropoulou e Yiannis Chri.

Para ver o filme, clique aqui:
 
The Politics of Knives from Ross Domoney on Vimeo.

Tradução > Anarcopunk.org

agência de notícias anarquistas-ana

pássaros cantando
no escuro
chuvoso amanhecer

Jack Kerouac


3 de out de 2013

E se fosse você



Sentir o mundo
Não apenas
Mundo.

Cheiro, gosto, percepção, utopia...
E
Se você
Dormisse
 
Sonhasse
Vivesse
Saísse...
Percebesse

Que
O se é sempre
Escolha
Luta
Vontade.

Aquela coisa maior,
O nada que nos funde,
O concreto pensamento
De agir

Por causas
Mudanças
Impulsos
Desejos

Continuamos, em pé e educando.
km

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás