O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

Cquote2.svg
Carlos Drummond de Andrad

10 de mar de 2013

O manifesto antipreneur




Eu quero ser um curador de mim mesmo, um anti-preneur, uma pessoa.

Eu não quero ser um designer, um comerciante, um ilustrador, um Brander, um consultor de mídia social, um guru multi-plataforma, um assistente de interface, um escritor de cópia, um assistente tecnológico, um aplicador, um rei da estética, um usuário notável, um lucro maximizador, um analisador de linha de fundo, um gerador de meme, um rastreador de sucesso, uma re-poster, um blogueiro patrocinado, um comentarista de estrela, uma loja online, um relayer viral, uma alça, uma fonte ou uma página. Eu não quero ser linkada, sintonizada, "gostei", incorporada, listadas ou programada. Eu não quero ser uma marca, um representante, um embaixador, um best-seller ou uma carta-topper. Eu não quero ser um recurso humano ou parte de seu capital humano.

            Eu não quero ser um empreendedor de mim mesmo.
Não dê ouvidos aos fundadores, os empregadores, os jornais, os especialistas, os editores, os meteorologistas, os pesquisadores, as marcas associadas, os conselheiros de carreira, o primeiro-ministro, o mercado de trabalho, Michel Foucault ou seu irmão arrogante em finanças - há outra coisa!

            Eu quero ser um amante, um professor, um andarilho, um montador de palavras, um escultor de imaterial, um fabricante de instrumentos, um filósofo socrático e musa de um sentimento. Eu quero ser um centro comunitário, uma obra de arte, uma letra cursiva e uma velha árvore de crescimento! Eu quero ser um desregulador, um criador, um visionário apocalíptico, um mestre de reconfiguração,
um pai hipócrita, um download ilegal e escolhe-sua-própria-aventura! Eu quero ser um agitador renegado! A cobertura do sorvete! Um organizador de prejuízo! Uma carga lançada! Um salto duplo no trampolim! Um jovem rebelde! Um voluntário! Um parceiro.

            Eu quero ser um curador de mim mesmo, um anti-preneur, uma pessoa.

            Disponibilidades ilimitadas. Nenhum seguidores necessário. Apenas os amigos.

Por Danielle Leduc
Traduzido por Karina Meireles

Nenhum comentário:

Postar um comentário

dizeres

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás