O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

13 de abr de 2013

PROFESSOR LEITOR


         
Muito se tem discutido, sobre a importância da leitura na escola. Porém percebe-se que inúmeras dificuldades têm sido encontradas no espaço escolar, para a efetivação das práticas de leitura que possibilitem a formação de leitores.
              No Brasil, não temos tradição cultural no que diz respeito à leitura, vive-se em uma sociedade que pouco valoriza, desenvolve e estabelece tais práticas. Pode-se confirmar esta realidade, levando-se em conta que, pelas condições do desenvolvimento histórico e cultural do país, a leitura, enquanto atividade de lazer e atualização, sempre se restringiu a uma minoria de indivíduos que teve acesso à educação formal, e, portanto, ao livro. Neste sentido, a escola, mais especificamente, o professor, necessita estabelecer vínculos prazerosos com a leitura, buscando o prazer, o lazer e o conhecimento.
             É de suma importância, que o professor incentive o gosto pela leitura, para que a sociedade tenha seus indivíduos como sujeitos da sua história, homens e mulheres que façam cultura e que impulsionem a transformação, fundamentados em princípios humanos de liberdade e solidariedade.
A leitura, nas escolas, tem caráter secundário ao da escrita, apesar de ambas caminharem juntas; a escrita toma todo o tempo, enquanto a leitura é vista como uma atividade extra na aula que, normalmente, acontece, quando os alunos terminam a lição, ou quando sobra tempo. A leitura precisa ocupar horário “nobre” da aula. A escola precisa viabilizar tempo para a leitura.
Nem sempre os professores estabelecem boas relações com os livros e com a leitura; há alguns que afirmam que não gostam de ler; outros que não vêem a leitura como lazer; outros que as poucas leituras que fazem são quase que, exclusivamente, para a preparação das aulas. Se o professor formador de leitores não tem o gosto pela leitura, como irá despertar o interesse dos alunos pelo prazer de ler?
            Talvez, esse professor não tenha tido oportunidades de se tornar um bom leitor na sua fase de escolarização ou profissionalização. Outros fatores, como, condições salariais ou de trabalho, falta de infra-estrutura, pouco ou nenhum tempo para ler, contribuem negativamente para a má formação do professor-leitor.
Mas se os professores não forem leitores, dificilmente poderão compartilhar com seus alunos os mistérios, encantos e alegrias que se podem alcançar pela leitura.
Primeiramente, compete ao professor leitor fazer a “leitura” da sala de aula, como se fosse um texto a ser compreendido. Se, na leitura de textos, necessitamos de estratégias ou instrumentos auxiliares de trabalho, também para a leitura da classe precisamos observar, intuir, imaginar a realidade de cada aluno, suas condições sociais, culturais e econômicas para, então, o educador ser capaz de interagir, intervir e construir criticamente o conhecimento.
Assim, o educador é um elemento impulsionador, mediador da leitura, criando em sua sala de aula condições para que seus alunos possam ler. Dessa forma, ao conquistar o ato de ler, dentro das condições propícias, o professor e o aluno estarão ampliando seus conhecimentos, participando ativamente da vida social, alargando a visão de mundo, do outro e de si mesmo, o que poderá ser revertido em incremento do trabalho pedagógico.

km

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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás