O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

19 de jul de 2013

III




Eu odeio seu ódio

Que como amor
arrasa a alma
Tornando raso
o profundo sentimento,

Não se vá, sentimentos
prefiro que fique a flor da pele
me deixe ser insano e capaz.

Entre as cores do dia
e o petróleo da noite
não se esqueça
o seu ser no mundo
e naqueles tempos
encontrar-se virou uma batalha e  tanto...

km

8 de jul de 2013

Kafka

"Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, quando levantou um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido em segmentos arqueados, sobre o qual a coberta, prestes a deslizar de vez, apenas se mantinha com dificuldade. Suas muitas pernas, lamentavelmente finas em comparação com o volume do resto de seu corpo, vibravam desamparadas ante seus olhos."

7 de jul de 2013

II




Fotografia: Anna Aden


Um dia de festa, festim e fúria
sentindo o vento feroz
em seu eterno combate com as nuvens
mostrando-nos a certeza das estrelas
intocadas
e a cada nova noite
em sua luz morta
elas, as estrelas
em meu cotidiano
inspira-me
a mais impura poesia.


De certo
o contra-ponto
o avesso
e a falta que me faz
malditos ditos de revolta...


km..



I





Deixando na terra o gosto amargo
da incerteza do seus dias...

É chuva e sol
estalando no juízo
É morro, asfalto e fumaça
me fazendo ver
Tempo, luta, sina.

Sendo
a poesia a coisa mais viva
naquele espaço de tempo
chegando enfim palavras
de um poeta morto
cheio de larvas
vivia em suas letras...

Eram moças, saias a voar no vento
este universo de café, saias e desejos
breve, passa com pressa

Como uma graciosa borboleta.


Km.. 

Olá



As palavras estão impregnadas de poesia e nesse pensamento me encontrei, questionei, percebi minha vida, essa historia torta que insisto em complicar, quem passa por aqui sabe, ou desconfia que eu seja sã em minha loucura poética, ou vise-versa... Os malditos ditos que me esclarecem esse caos coletivo que ironicamente nos define como individuo seja mortos ou vivos, ativos ou inertes, fazemos historia.

Por isso aos malditos poetas mortos do passado, que dedico esta série de poemas que com tempo variável postarei por aqui...

Abrindo os sentidos #poetamortocheiodelarvas

Karina Meireles




3 de jul de 2013

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás