O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

16 de ago de 2013

Comunicado do Coletivo Tahrir-ICN sobre os últimos acontecimentos no Egito



Os acontecimentos dos últimos dias são o último passo de uma sequencia de fatos pelos quais os militares poderão consolidar o poder, apontando para a morte da revolução e um retorno ao passado Estado policial/militar.

O regime autoritário da Irmandade Muçulmana tinha que ser afastado. Mas o regime que o substituiu é a verdadeira face dos militares no Egito – não menos autoritário, não menos fascista e com certeza mais difícil de depor.

O massacre levado a cabo pelo Exército contra os apoiantes de Morsi nas praças Nadha e Raba’a deixou cerca de 500 mortos e uns 3000 feridos (os números são do Ministério da Saúde, a realidade é provavelmente muito maior). Foi um ato pré-orquestrado de terrorismo de Estado, com o objetivo de dividir a população e levar a Irmandade Muçulmana a criar mais milícias para se vingarem e se protegerem. Isto, por sua vez, vai permitir que o exército considere que todos os islamitas são terroristas e criar  um “inimigo interno” no país, fazendo com que o exército mantenha o regime militar num estado permanente de emergência.

Os militares perseguem hoje a Irmandade Muçulmana, mas vão perseguir também qualquer um que se atreva a criticá-los amanhã. O exército já declarou o estado de emergência pelo período de um mês, dando à polícia e aos militares poderes excepcionais e impôs o toque de recolher obrigatório em muitas províncias de 6 – 7 horas, pelo mesmo período de tempo.  Isto dá ao exército via livre para reprimir qualquer dissidência. É um retorno aos dias antes da revolução, quando a lei de emergência estava em vigência desde 1967 e que  permitiu uma ampla repressão e negação das liberdades.

O caráter do novo regime é claro. Apenas alguns dias atrás 18 novos governadores foram nomeados, a maioria dos quais saiu das fileiras do exército, da polícia ou até mesmo do que restou do regime de Mubarak. Houve também um ataque contra os trabalhadores que continuam a greve em defesa dos seus direitos (como o recente ataque do exército e a prisão de metalúrgicos em greve em Suez). O regime militar também está à procura de ativistas revolucionários; jornalistas foram espancados e presos; os estrangeiros têm sido ameaçados quando são testemunhas de qualquer acontecimento. A mídia local e global contam meias verdades e publicam narrativas construídas como suporte de uma agenda política. A contrarevolução está em plena marcha e sabe como quebrar a unidade do povo, dividindo para vencer.

Nos últimos dois dias tem havido um aumento de represálias sectárias, com mais de 50 igrejas e instituições cristãs atacadas. O exército e a polícia não foram vistos protegendo estes edifícios da comunidade cristã. É do interesse de ambos – do exército e da Irmandade Muçulmana – atiçarem as tensões e criarem o medo e o ódio entre as populações. Ambos vão lutar pelo controle do Estado enquanto o sangue das pessoas abarrotar as ruas.

agência de notícias anarquistas-ana


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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás