O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

15 de out de 2013

Filme: A Política das Facas


[O projeto de pesquisa crisis-scape.net acaba de lançar o curta-metragem com legendas em inglês “The Politics of Knives” (A Política das Facas), que aborda a gangue neonazista Aurora Dourada.]

Apresentação:

O partido neonazista Aurora Dourada está ativo na Grécia desde meados dos anos 80. No decorrer dos anos atacou imigrantes, antifascistas e homossexuais, com a tolerância ou mesmo colaboração de uma parcela da força policial grega. Recentemente, o partido viu um crescimento inexplicavelmente imenso de seus fundos, uma ampla cobertura de suas atividades (seja real ou fictícia) pela grande mídia e a abertura de mais de cinquenta filiais locais por todos os bairros atenienses e cidades gregas.

O ostensivamente meteórico crescimento do Aurora Dourada no discurso político dominante vem em uma conjuntura extremamente crítica, em meio à crise financeira global que atingiu a Grécia mais fortemente por volta de 2008/09 em diante. Nas eleições nacionais de 2009, o partido recebeu meros 0,2 % dos votos; em 2012, sua cota disparou para aproximadamente 7%. Este sucesso eleitoral foi acompanhado pela introdução de políticas anti-imigração pela coligação governamental, operações policiais frequentes com alvo nas atividades antifascistas em Atenas e outras cidades gregas, e o crescimento de ataques racistas no país.

Em 18 de setembro, um membro confesso do Aurora Dourada, Giorgos Roupakias, esfaqueou até a morte o rapper antifascista Pavlos Fyssas (Killah P). Como consequência do assassinato, o líder do Aurora Dourada, Nikos Mihaloliakos, e outros membros e pessoas chave foram presas e acusadas. Apenas agora, após décadas de presença no cenário político grego, as conexões do Aurora Dourada com as forças de segurança e política institucional do país estão sendo expostos no discurso da política dominante e na mídia.

Ficha técnica:

Produzido por Ross Domoney, Klara Jaya Brekke e Dimitris Dalakoglou.

Filmagem e edição por Ross Domoney.

Roteiro por Klara Jaya Brekke.

Música por Giorgos Triantafillou.

Agradecimentos especiais a Lena Theodoropoulou e Yiannis Chri.

Para ver o filme, clique aqui:
 
The Politics of Knives from Ross Domoney on Vimeo.

Tradução > Anarcopunk.org

agência de notícias anarquistas-ana

pássaros cantando
no escuro
chuvoso amanhecer

Jack Kerouac


3 de out de 2013

E se fosse você



Sentir o mundo
Não apenas
Mundo.

Cheiro, gosto, percepção, utopia...
E
Se você
Dormisse
 
Sonhasse
Vivesse
Saísse...
Percebesse

Que
O se é sempre
Escolha
Luta
Vontade.

Aquela coisa maior,
O nada que nos funde,
O concreto pensamento
De agir

Por causas
Mudanças
Impulsos
Desejos

Continuamos, em pé e educando.
km

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás