O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

Cquote2.svg
Carlos Drummond de Andrad

14 de dez de 2013

Um dia daqueles



                                                               Foto: Kirill Arsenjev

Um dia daqueles

Belo, mas triste...



Quando estou triste como hoje,

Gosto de gritar, chorar, escrever

Descarregar as lamúrias
em um poema carregado de sutilezas

da minha tristeza.



Uns dizem que seria mais fácil pra mim

Acreditar em Deus, nessas horas “orar é bom”

Respeito a fulga dos crentes ao seu Deus
porque ninguém respeita minha descrença
e minha forma de encarar minhas tristezas

A vida não é nada romântica, passei da fase de romantiza-la,

Triste fim...



Porém me resolvo escrevendo, poemizando meus nós

É entre loucura, angustia e duvida

Que minha sanidade aparece

Me puxa

E diz

Viva...



O que seria triste é aceitar-se assim

Cega

Muda

Surda



Enquanto a natureza me permitir

Verei

Gritarei

Escutarei



E o que digo pra vida

Além de pessoas boas e ruins

Existe o belo da grandeza do mundo

Até o espanto da sua degradação

É uma lição para vidas

Medíocre ou não.



Viremos a pagina



Sejamos humanos (entendendo o conceito da palavra)

Seja mais você

Seja mais os seus

Se for só

Então vá só

Sigamos em frente!



km

7 de dez de 2013

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás