O dito da vez


Cquote1.svg

A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

28 de dez de 2015

Somos efeitos de silêncios


Somos feitos por silêncios 
atos silenciosamente arquitetados pelo destino.
silenciam vozes
culturas  e expressões
a alquimia dos ritmos
já esta prejudicada

"A noite do tambor silenciado" ...km

27 de dez de 2015

Na espera do ônibus



Cheiro de borracha
queimada pelo asfalto
há calor, sem redenção
há sorrisos, sem paixão
há vida, e pessoas sem nenhuma noção... km

21 de dez de 2015

Eu


...

e
Eu, de carne e osso
com os quatro  pés no chão
entre um olhar e outro
a vida
passa.

km

13 de nov de 2015

Ele, pronome pessoal do caso reto

Ele não pensa em nada
ou em ninguém
simplesmente, escreve
por entrelinhas
aparece
poesia
esta em ti,
em mim
ao redor...
não se mede
Insurge
desaparece
como um conto
que a cada tempo
declara ser
ele
no mundo

km

Zona Autônoma Temporária


8 de nov de 2015

Sobre





















A credulidade
dos dias
...
passa
sol
vozes na praça

poeta iluminado
palavras
ecoam na alma

sentimentos expostos
em versos

calma
tumulto

experimenta
a ciência
o fenômeno
a escrita
passa

entre as vontades dos dias
e a realidade da alma.

km

2 de nov de 2015

Arrebol


A vida segue caótica...
sirenes, sinais perenes
em coabitar ao redor
perceber arrebol
através dos olhos da mente!

km

25 de out de 2015

A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.



No decorrer do tempo de minha existência percebi que eu não era apenas um ser humano com olhos, pernas, cérebro e coração, a sociedade me tipificou pelo meu sexo biológico, logo sou menina, mulher, esposa, seja qual for o titulo dado, esta questão vai além da escrita de um termo e passa pela simbologia da linguagem que da forma ao valor que esta tipificação ganha socialmente.
Dito isto se percebe que historicamente somos criadas para saber calar e isso vai além das paredes das casas, esta na mídia, religião, politica e até em movimentos sociais, onde ser mulher, nos torna em algo, ao invés de ser, a coisificação da mulher se da em nossa sociedade como algo banal, onde a televisão reproduz, a publicidade eterniza e onde a maioria dos homens se apoderam de sua “força” como uma provisão além ser e nos subjuga e inferioriza seja fisicamente, seja psicologicamente.
A palavra é cultura, porque é um comportamento humano, então toda ação humana é considerada cultura, logo, falar sobre isso é um primeiro passo para uma transformação desta ação, que não deve mais ficar em puni, pois o absurdo de tal cultura não pode se tornar ordinário. A violência domestica em nosso país chega infelizmente a ser cotidiana, nossas crianças a presenciam e isso se torna banal, ai um ponto que podemos considerar, como chegar a essas crianças e dizer a elas que isso não é normal e a coragem de se libertar deste jugo é real, se não através da educação, de uma movimentação social que nos de a liberdade de falar sobre, discutir e “descoisificar” o gênero, este tipo de educação deve ter a sensibilidade de nos tornar conscientes de nossos corpos, nos dando arcabouço para defender dignamente nossa identidade, sem medo ou dor, superando a barreira da linguagem, podemos superar a barreira do medo e do preconceito.
 Ao nascermos à família é o nosso primeiro ambiente de aprendizagem, pois estamos sempre aprendendo e sempre ensinando, consciente ou inconscientemente. Uma criança que é amada tende a se desenvolver com atitudes positivas para a construção do seu alto-conceito, porém a que é desprezada tende a desprezar-se.
            O adulto cercado por crianças tem que estar atento a sua ação como também seu discurso, pois a criança é o espelho mais natural que existe isso torna-nos aprendizes de nossa própria aprendizagem.
Somos todos seres humanos, isso é o que ensino a meu filho, e respeito é algo imprescindível para uma vida social onde seres coabitam.

Karina Meireles  25.out.2015



19 de out de 2015

Quem sabe...

Foto: Michał Karcz

Um dia quem sabe
Ser poeta será a chave
Pra aliviar minha alma
De todo enclave
Que minha mente
Existencialista me faz querer argumentar
Sobre toda angustia que a condição
De ser e estar no mundo
Faz-se tornar
Carne em cerne
Amor em luxuria
Discernimento em loucura
A capacidade de construir-se
Em nossa existência
Escolha a escolha
A essência
Que em conflitos e soluções
Faz-nos criar...


km

6 de set de 2015

IMIGRANTES

...milhares morrem no mediterrânio
limites que não vemos
mas sentimos
quando estamos
perdendo vida...

km

15 de jul de 2015

14 de jul de 2015

Theodor W. Adorno

Liberdade não é poder escolher entre preto e branco mas sim abominar este tipo de propostas de escolha.


Foto: Garry Winogrand

9 de jul de 2015

Notas de um canto


Ninguém se espanta com a morte
Virou um espetáculo
Como ter vida
Após a morte
Sem espantar-se a ela durante a existência ...

... Se não a reflexão
Não à consciência
Das transformações
Constantes da vida

km

7 de jul de 2015

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade

6 de jul de 2015

Paradigmando

Cquote1.svgQuantos Zé ninguém e Luther Blissett existem espalhados pelo mundo? Se nosso vizinho de casa desaparece, saberemos "tudo" pela televisão, sem nem a necessidade de olhar pela janela. A mídia de massa nos oferece a medida da nossa existência. Muitos vivem para aparecer, mas somente poucos aparecem para viver. Luther Blissett apareceu desaparecendo. Pode desaparecer uma pessoa que não existe? Principalmente se seu nome for apenas o pseudônimo do suposto ilusionista Harry Kipper, misteriosamente desaparecido? Ser e não aparecer, e quem resolve aparecer atrás de um nome coletivo faz isso para desarrumar as regras do jogo. Se na mídia aparece o rosto de Luther Blissett, este é com certeza mais um falso, pois LB possui rostos demais para ser representado somente por um. Mas acima de tudo porque, se está presente na mídia, então desaparece como LB, isto é, prefere-se a aparência à existência.Cquote2.svg
Luther Blissett

28 de jun de 2015

#paradigmando

Mad Max - Fury Road (2015).

1 de mai de 2015

Educação



Não há outro caminho que não seja a insubordinação. Não digo insubordinação como se ela, por si mesmo, trouxesse as respostas automaticamente. Mas tem que haver uma insubordinação, primeiro, em termos do espírito, em termos daquilo que nós temos que não aceitar deste mundo e da explicação que se dá do mundo.
Sim: não há outro caminho para a educação que não seja a insubordinação.

19 de abr de 2015

pragmas

Negar todo uma cultura e história indígena, não vai negar quem somos, nem muito menos dar alguma luz aonde podemos chegar, como chegar pra estar e ser alguma coisa além de censura...

.

km

5 de abr de 2015

Termos

pensando em termos que a sociedade nos agrupa
Prendada
Descolada
Moderna
entre outros milhões de termos
Independe, independência...

ps.
não sou
de cola
ou velcro
se é pra tirar do abstrato do pensamento
para espor-me em palavras
eu sou
um laço
que vive frouxo
livre
leve
solto


km

2 de abr de 2015

Prendendo o futuro...

Nesta bifurcação posta
disposta de distopias
criminalizar ou educar?

                                          km


24 de mar de 2015

Teçendo fragmentos de certos pensamentos ... e determinadas atitudes

Eu sou/estou tão desapegada das coisas do mundo... do tempo que discorre.
Que me perco dentro de mim
absurdamente sincera, a realidade te abre os olhos

( vai chegar um tempo em que ignorância não será desculpa para não abrir os olhos)

Ps. porque na vida de um poeta toda palavra tem rima e todo texto poesia (visão de mundo).

Km

23 de fev de 2015

Poemizando por aí...

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


20 de fev de 2015

PLANTAR POBREZA, EL NEGOCIO FORESTAL EN CHILE - DOCUMENTAL






[“Plantar Pobreza, O negócio florestal no Chile” é um documentário do Jornal "Resumen" que aborda a origem e as consequências da expansão da indústria florestal na zona centro sul do país.]

As plantações de pinos e eucaliptos, as plantas de celulose e toda a infraestrutura viária e portuária a seu serviço são elementos que, ao invés de constituir a engrenagem de um substancioso e exclusivo negócio, representa a exploração dos territórios que ocupam e o empobrecimento de suas comunidades.

Atualmente, os lugares que suportam plantações e possuem plantas de celulose não oferecem condições de habitabilidade para sua gente, obrigando-a a emigrar, deixando a completa disposição do negócio florestal os espaços anteriormente usados na produção ou coleta de alimentos e na conservação do bosque. Mostra desta realidade é que as comunas apresentadas como “de vocação florestal” alcançam índices de migração e pobreza que superam a media nacional.

No entanto, todo este processo se configurou ante o favorecimento e o servilismo das autoridades de turno. Desde a Ditadura Militar até os governos civis, todos defenderam este empresariado, chamando desenvolvimento a abertura de novos focos de extração e serviços para a indústria florestal, chamando as plantações florestais de bosques e chamando estado de direito à imposição da vontade empresarial através da repressão e do terrorismo de Estado.

“Plantar Pobreza” tem o propósito de contribuir para entender o processo em que se tem expandido esta indústria e seus efeitos em diferentes escalas. Sem ficar em uma constatação de desastres e misérias, “Plantar Pobreza” mostra a possibilidade de reverter as condições provocadas pelo negócio florestal, através do testemunho de comunidades invisibilizadas que realizam experiências de recuperação do bosque, recuperação da água e da soberania alimentar.

A nós que vivemos neste território tentaram convencer de um falso dilema: “Ou há florestais ou há pobreza”. Na realidade, temos visto que nosso empobrecimento se tem agravado na medida que estas se tem expandido. Hoje, a recuperação de nossos territórios se impõe como condição necessária para nossa subsistência e nisto não cabem ambiguidades, a indústria florestal deve acabar e devem implementar-se políticas de reparação ambiental e social. O documentário “Plantar Pobreza”, tenta contribuir para esta luta.



Tradução > Sol de Abril

Conteúdo relacionado:


agência de notícias anarquistas-ana

no muro o caracol
se derrete nos rabiscos
da assinatura prateada

Dalton Trevisan
Documentário:







11 de jan de 2015

Séc. XXI

“Os escravos do século XXI não precisam ser caçados, transportados e leiloados através de complexas e problemáticas redes comerciais de corpos humanos. Existe um monte deles formando filas e implorando por uma oportunidade de trocar suas vidas por um salário de miséria. O “desenvolvimento” capitalista alcançou um tal nível de sofisticação e crueldade que a maioria das pessoas no mundo tem de competir para serem exploradas, prostituídas ou escravizadas.”
— Luther Blissett


7 de jan de 2015

Je suis Charlie

Há vários anos @macpremo e @digbyandiona fizeram estes lápis usando a famosa mensagem de Woodie Guthrie que teve na sua guitarra.
Hoje este significado tem mais volume. Sendo morto por suas opiniões políticas ou religiosas, o que você escreve ou o que você desenha, é intolerável. Liberdade de imprensa brilha uma luz sobre a sociedade e as ações de todos. É somente através de uma imprensa livre e a liberdade dos artistas de falar abertamente que já não vivemos na idade das trevas. Só espero que esta ignorância não conduza a um ciclo de retaliação ignorante e uma espiral em direção a idade das trevas.

Por Oliver Jeffers



2 de jan de 2015

Wake Up Call






Você já sentiu que você está vivendo um pesadelo de consumo? Que você gostaria de que poder te un gancho e reconectar-se com uma vida que é de alguma forma mais real e vívida? Então talvez estejas pronto para prestar atenção Wake Up Call da terra. Créditos:http://www.gaiafoundation.org/wakeupcall/

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás