O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

25 de out de 2015

A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira.



No decorrer do tempo de minha existência percebi que eu não era apenas um ser humano com olhos, pernas, cérebro e coração, a sociedade me tipificou pelo meu sexo biológico, logo sou menina, mulher, esposa, seja qual for o titulo dado, esta questão vai além da escrita de um termo e passa pela simbologia da linguagem que da forma ao valor que esta tipificação ganha socialmente.
Dito isto se percebe que historicamente somos criadas para saber calar e isso vai além das paredes das casas, esta na mídia, religião, politica e até em movimentos sociais, onde ser mulher, nos torna em algo, ao invés de ser, a coisificação da mulher se da em nossa sociedade como algo banal, onde a televisão reproduz, a publicidade eterniza e onde a maioria dos homens se apoderam de sua “força” como uma provisão além ser e nos subjuga e inferioriza seja fisicamente, seja psicologicamente.
A palavra é cultura, porque é um comportamento humano, então toda ação humana é considerada cultura, logo, falar sobre isso é um primeiro passo para uma transformação desta ação, que não deve mais ficar em puni, pois o absurdo de tal cultura não pode se tornar ordinário. A violência domestica em nosso país chega infelizmente a ser cotidiana, nossas crianças a presenciam e isso se torna banal, ai um ponto que podemos considerar, como chegar a essas crianças e dizer a elas que isso não é normal e a coragem de se libertar deste jugo é real, se não através da educação, de uma movimentação social que nos de a liberdade de falar sobre, discutir e “descoisificar” o gênero, este tipo de educação deve ter a sensibilidade de nos tornar conscientes de nossos corpos, nos dando arcabouço para defender dignamente nossa identidade, sem medo ou dor, superando a barreira da linguagem, podemos superar a barreira do medo e do preconceito.
 Ao nascermos à família é o nosso primeiro ambiente de aprendizagem, pois estamos sempre aprendendo e sempre ensinando, consciente ou inconscientemente. Uma criança que é amada tende a se desenvolver com atitudes positivas para a construção do seu alto-conceito, porém a que é desprezada tende a desprezar-se.
            O adulto cercado por crianças tem que estar atento a sua ação como também seu discurso, pois a criança é o espelho mais natural que existe isso torna-nos aprendizes de nossa própria aprendizagem.
Somos todos seres humanos, isso é o que ensino a meu filho, e respeito é algo imprescindível para uma vida social onde seres coabitam.

Karina Meireles  25.out.2015



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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás