O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

13 de nov de 2015

Ele, pronome pessoal do caso reto

Ele não pensa em nada
ou em ninguém
simplesmente, escreve
por entrelinhas
aparece
poesia
esta em ti,
em mim
ao redor...
não se mede
Insurge
desaparece
como um conto
que a cada tempo
declara ser
ele
no mundo

km

Zona Autônoma Temporária


8 de nov de 2015

Sobre





















A credulidade
dos dias
...
passa
sol
vozes na praça

poeta iluminado
palavras
ecoam na alma

sentimentos expostos
em versos

calma
tumulto

experimenta
a ciência
o fenômeno
a escrita
passa

entre as vontades dos dias
e a realidade da alma.

km

2 de nov de 2015

Arrebol


A vida segue caótica...
sirenes, sinais perenes
em coabitar ao redor
perceber arrebol
através dos olhos da mente!

km

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás