O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

5 de jan de 2017

Sobre as reformas na educação...


O pensamento burguês se moldou e nos moldou ao longo dos séculos, Marx o associou ao capital, porém ele vai muito além disso... Está presente em todos os campos de pensamento humano, nossa sexualidade, afetividade, moral, etc. se envolve em nosso desenvolvimento cognitivo através de suas influências no meio em que vivemos.

Impõe o que é certo e o que é errado, ditando assim a moral e os bons costumes, censurando nosso livre pensar, questionar e criticar o que é imposto para a manutenção de uma vida onde se privilegia apenas os ditos burgueses e suas vidas de porcelana.


Hoje em dia temos mais informação, por isso há a ilusão de certa liberdade ao conhecimento. Porém nossa educação oficial ainda segue os ditames do pensamento burguês, onde filho de peixe, peixinho é, apesar de existir resistência a tudo isso ele se impõe através da mídia, do Estado, da policia etc. estabelecendo os gostos e desgostos de uma sociedade acrítica e amorfa.



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JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás