O dito da vez


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A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo

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Carlos Drummond de Andrad

23 de mar de 2017

Noite fria, carne fraca

Noite fria, carne fraca, 
e pensamentos nefastos como tiros de uma guerra, 
corta o silêncio da alma 
faz-nos sentir algo além de nosso próprio ser, 
sem sorrisos estalados ou cardápios variados ... 
habitamos há fome.

A credulidade dos dias 
... 
passa 
sol 
vozes na praça 
poeta iluminado 
palavras 
ecoam na alma 

sentimentos expostos 
em versos 
há calma 
tumulto 

experimenta 
a ciência 
o fenômeno 
a escrita 
passa 

Entre as vontades dos dias e a realidade da alma. 


Sem ternos quentes, aparentes desfilamos, ato falho negamos, ato por ato debulhamos.
O ser que esta em mim se transforma perante o ser que existe enfim.


Fala-me de rimas das vozes perdidas, qual sonho persegues do dessaber ao saber do dia, inacabados seres, conscientes inacabados.

Como se fosse poesia guardei seu verso no bolso a tempo de jogar as cartas na mesa,
Sorria que como antes 
Há tempo.

 km

22 de mar de 2017

Rarefeitos Imbitubianos: Prosa Poética: Humberto Fonsêca & Karina Meireles

Rarefeitos Imbitubianos: Prosa Poética: Humberto Fonsêca & Karina Meireles: Empatia - Um Abismo Entre o Bem e o Mal A solidão é um pedaço de mistério tão eloquente, que nós não podemos mais reter nossos sentimento...

Pedagogia do Oprimido


"Quem, melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora? Quem sentirá, melhor que eles, os efeitos da opressão? Quem, mais que eles, para ir compreendendo a necessidade da libertação? Libertação a que não chegarão pelo acaso, mas pela práxis de sua busca; pelo conhecimento e reconhecimento da necessidade de lutar por ela."
Trecho do livro "PEDAGOGIA DO OPRIMIDO" - PAULO FREIRE.

19 de mar de 2017

Há palavras














Não direi para calar-te
Nem para bem ou mal dizer-me
essa boca paladina
dada está.

Ao que desconheço
as lágrimas penduradas nos olhos
à desconfiança
e esse cheiro de flor.

Revela-se
A este oposto
remediamento
pois antes que me embriague
nos versos malditos
tento ouvir
para além do som
há palavras...

Seja desordem
nesta ordem nefasta
atravessemos o progresso
para dar espaço
aos estandartes de revolta.

km

10 de mar de 2017

SobreViver


Eu já não sou mais eu
a novidade assustou
Ao dito seja o que é
eu digo não seja

Em um eterno
Não ser
se é

Distópico
utópico
dialético

Vivemos
e somos
vividos

Em tempos de ódio
não ser o esperado
é um meio

Deixar de ser
para ser algo novo
constante e
visceral
survival...
km



7 de mar de 2017

COeducação

[...]A construção social das gerações se concretiza através do estabelecimento de valores morais e expectativas de conduta para cada uma delas, em diferentes etapas da história. Novas relações, por sua vez, determinam novos comportamentos das gerações, num movimento dialético e de retroalimentação permanente. É através dos séculos que nossa sociedade modela-se, logo, as idéias do cristianismo ditavam a moral e os bons costumes de uma sociedade patriarcal, onde a mulher era considerada um adjetivo do homem. O que prejudicou a liberdade das mulheres ao conhecimento científico, ao trabalho enfim a educação.

As coisas se passam como se sempre tivesse sido assim: meninos de um lado e meninas do outro.  Desejando que as relações entre essas naturezas se aprofundem e se aperfeiçoe, esta reflexão se apóia na certeza de que o compartilhamento das experiências na igualdade e liberdade ao saber combate o preconceito, podendo efetivamente contribuir para a edificação de uma sociedade mais justa, tolerante, democrática e solidária[...] km

JUSTIÇA

JUSTIÇA

Agora uma fabulazinha

Me falaram sobre uma floresta distante onde uma história triste aconteceu no tempo em que os pássaros falavam, os urubus bichos altivos mas sem dotes para o canto resolveram mesmo contra a natureza que havia de se tornar grandes cantores.
Abriram escolas e importaram professores, aprenderam


mi

sol

si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si para escolher quais deles passariam a mandar nos demais a partir daí criaram concursos, inventaram títulos pomposos, cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular afim de ser chamado por vossa excelência.
Passaram-se décadas arte que a patética harmonia dos urubus maestros foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas, que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás. Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos para um rigoroso inquérito:
cade os documentos de seus concursos?
Indagaram, e os pobres passarinhos se olharam assustados... Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles.
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar naturalmente cantavam
Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem, bradaram os urubus.
E em um nisoro expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos que ousavam cantar sem alvarás...

Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás